Nesta tremenda confusão – e sem nenhum intuito de esclarecê-la – trazemos fatos e notícias recentes que mostram, claramente, que os Estados Unidos são um caldeirão em ebulição no que diz respeito às drogas. E mostra, mais uma vez, que em tema tão polêmico, não existem soluções fáceis nem simplistas. O Tio Sam que o diga.
1. Pesquisa realizada pelo Public Religion Research Institut mostrou que metade dos jovens cristãos americanos apóia a legalização da maconha para uso recreativo. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 32% disseram ser “fortemente a favor” da legalização, com mais 18% favoráveis, simplesmente. Neste mesmo grupo, 44% se disseram contrários ao tema. Tal pesquisa mostra um descompasso entre as gerações de cristãos, uma vez que entre os maiores de 65 anos, 22% apenas se dizem favoráveis, contra 74% contrários à qualquer tentativa de legalização. Quase metade (45%) dos jovens cristãos dizem já ter experimentado canábis, contra 13% dos idosos. E a ampla maioria, 70% dos entrevistados, diz não considerar o uso da erva um pecado. Para o coordenador da pesquisa, a aceitação à canábis só aumentará: “Assim como o casamento do mesmo sexo, o que estamos vendo aqui é a substituição de gerações. À medida que os cristãos mais jovens chegam à idade adulta, eles trazem consigo diferentes experiências e pontos de vista”, afirmou.
Também recentemente, uma pesquisa do centro PEW revelou que mais de metade dos americanos, 52% para ser exato, são favoráveis à legalização da erva. É a primeira vez que a legalização alcança maioria em pesquisas do tipo.
2. Um baseado de cerca de 1,1 kg ganhou fama nas redes sociais. A foto de um policial carregando o “fininho” em meio a um evento pró canábis na Universidade da Califórnia rodou o mundo, e deixou muitos leitores da semSemente – este que vos escreve, inclusive – com água na boca. A festa, realizada no dia 20 de abril (4/20, nos padrões americanos), contou com mais de 4 mil pessoas, e os 35 policiais destacados para o evento apreenderam 2 pessoas, ambas por ultrapassar o limite permitido em lei, de 28 gramas do vegetal por usuário. Não se sabe, no entanto, se o dono do baseadão é um dos detidos.
3. Pesquisas de opinião e festas com mais de 4 mil pessoas defendendo o uso da erva não foram suficientes para que o deputado republicano Steve Katz votasse favoravelmente ao tema. Eleito pelo Tea Party, a ala mais radical e conservadora do partido, e ferrenho defensor da criminalização da canábis, Katz perdeu sua licença de veterinário após ser acusado de maus tratos a animais. Teve ainda problemas com a justiça por sonegação de impostos. E, não bastasse isso, agora terá que se apresentar à justiça novamente. O motivo: parado por excesso de velocidade em uma estrada nos arredores de Albany, despertou a curiosidade dos agentes policiais, que notaram um forte odor de canábis no carro do deputado. Pressionado, Katz colaborou com a polícia, e entregou uma bolsa, com menos de 25 gramas da erva. Porém, tendo votado contra o projeto da canábis medicinal no estado, em 2011, e não possuindo carteirinha de usuário, o nobre representante foi autuado e responderá por porte ilegal de drogas.
4. O professor de direito da Universidade de Washington Benjamin Leff apresentou, agora em abril, durante reunião em Harvard, um plano para a cobrança de impostos do mercado legal de canábis. Como se enquadram na categoria de comerciantes de substâncias controladas, de acordo com a lei tributária americana, os vendedores legais de canábis são taxados pelo preço final do produto, sem desconto de despesas, como ocorre para as demais categorias de comerciantes. Para escapar desta taxação e conseguirem isenção tributária, o professor sugere que os vendedores de canábis atuem como “organizações de bem estar social sem fins lucrativos”, uma vez que a existência de vendedores legais acaba por atuar na diminuição do tráfico de rua, e conseqüentemente da violência, em muitas comunidades pobres americanas. O estudioso acredita que a venda de um produto controlado, com certificado de procedência e qualidade, a um preço competitivo, acabaria por tirar o mercado dos vendedores ilícitos de canábis, promovendo, com isso, o “bem comum das vizinhanças e comunidades”, o que por si só já bastaria para caracterizar a isenção tributária.
Entre pesquisas, festas, flagrantes e idéias, o tema da legalização da canábis se firma no debate político do propulsor da incoerente e sanguinária Guerra às Drogas. Os Yankees tem muito dever de casa a ser feito na questão, antes de continuarem a impor seu intento irreal de erradicação às drogas para outras nações, muitas delas atreladas aos americanos por dívidas monetárias que as impedem de contestar tal política. É hora dos EUA reconhecerem que, se não conseguem manter o consenso sobre o assunto nem dentro de suas fronteiras, devem parar imediatamente de tentar impor suas visões sobre o assunto ao resto do planeta. A Europa e a América Latina, em diversos casos, mostram que caminham e pensam com pernas e cérebros próprios, em busca de alternativas mais condizentes com a realidade. Realidade que os sucessivos governos americanos teimam em ignorar. Até quando? Façam suas apostas…






































































































