Assim fica difícil entender!

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Em se tratando de drogas, os Estados Unidos são mesmo um país sui generis. Maior consumidor mundial de entorpecentes, é o mentor e capitão da War on Drugs, que busca o impossível: erradicar as substâncias que eles consideram “drogas” da face da terra. Embora tenham gastado fortunas comparáveis ao PIB de muitos países para, via repressão, tentarem este escuso objetivo – que certamente esconde outros ainda mais escusos – o que se vê é um aumento no número de usuários e um barateamento das drogas no país. Enquanto o DEA e o FBI investigam e prendem usuários e militantes, fecham instituições de ensino e dispensários de canábis medicinal, mais de 30% dos estados já permitem, através de leis estaduais, o uso medicinal da erva, e dois deles – Colorado e Washington – estão regulamentando inclusive o uso recreativo. O presidente Obama, que também não faz questão de ter uma posição firme e pontual sobre o tema, pediu ao DEA que não persiga os usuários, tanto medicinais quanto recreativos, de canábis. Enquanto isso, centenas de milhares de imigrantes e pobres americanos abarrotam as cadeias por delitos relacionados às drogas. 

Nesta tremenda confusão – e sem nenhum intuito de esclarecê-la – trazemos fatos e notícias recentes que mostram, claramente, que os Estados Unidos são um caldeirão em ebulição no que diz respeito às drogas. E mostra, mais uma vez, que em tema tão polêmico, não existem soluções fáceis nem simplistas. O Tio Sam que o diga.

1. Pesquisa realizada pelo Public Religion Research Institut mostrou que metade dos jovens cristãos americanos apóia a legalização da maconha para uso recreativo. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 32% disseram ser “fortemente a favor” da legalização, com mais 18% favoráveis, simplesmente. Neste mesmo grupo, 44% se disseram contrários ao tema. Tal pesquisa mostra um descompasso entre as gerações de cristãos, uma vez que entre os maiores de 65 anos, 22% apenas se dizem favoráveis, contra 74% contrários à qualquer tentativa de legalização. Quase metade (45%) dos jovens cristãos dizem já ter experimentado canábis, contra 13% dos idosos. E a ampla maioria, 70% dos entrevistados, diz não considerar o uso da erva um pecado. Para o coordenador da pesquisa, a aceitação à canábis só aumentará: “Assim como o casamento do mesmo sexo, o que estamos vendo aqui é a substituição de gerações. À medida que os cristãos mais jovens chegam à idade adulta, eles trazem consigo diferentes experiências e pontos de vista”, afirmou.

Também recentemente, uma pesquisa do centro PEW revelou que mais de metade dos americanos, 52% para ser exato, são favoráveis à legalização da erva. É a primeira vez que a legalização alcança maioria em pesquisas do tipo.

2. Um baseado de cerca de 1,1 kg ganhou fama nas redes sociais. A foto de um policial carregando o “fininho” em meio a um evento pró canábis na Universidade da Califórnia rodou o mundo, e deixou muitos leitores da semSemente – este que vos escreve, inclusive – com água na boca. A festa, realizada no dia 20 de abril (4/20, nos padrões americanos), contou com mais de 4 mil pessoas, e os 35 policiais destacados para o evento apreenderam 2 pessoas, ambas por ultrapassar o limite permitido em lei, de 28 gramas do vegetal por usuário. Não se sabe, no entanto, se o dono do baseadão é um dos detidos. 

3. Pesquisas de opinião e festas com mais de 4 mil pessoas defendendo o uso da erva não foram suficientes para que o deputado republicano Steve Katz votasse favoravelmente ao tema. Eleito pelo Tea Party, a ala mais radical e conservadora do partido, e ferrenho defensor da criminalização da canábis, Katz perdeu sua licença de veterinário após ser acusado de maus tratos a animais. Teve ainda problemas com a justiça por sonegação de impostos. E, não bastasse isso, agora terá que se apresentar à justiça novamente. O motivo: parado por excesso de velocidade em uma estrada nos arredores de Albany, despertou a curiosidade dos agentes policiais, que notaram um forte odor de canábis no carro do deputado. Pressionado, Katz colaborou com a polícia, e entregou uma bolsa, com menos de 25 gramas da erva. Porém, tendo votado contra o projeto da canábis medicinal no estado, em 2011, e não possuindo carteirinha de usuário, o nobre representante foi autuado e responderá por porte ilegal de drogas. 

4. O professor de direito da Universidade de Washington Benjamin Leff apresentou, agora em abril, durante reunião em Harvard, um plano para a cobrança de impostos do mercado legal de canábis. Como se enquadram na categoria de comerciantes de substâncias controladas, de acordo com a lei tributária americana, os vendedores legais de canábis são taxados pelo preço final do produto, sem desconto de despesas, como ocorre para as demais categorias de comerciantes.  Para escapar desta taxação e conseguirem isenção tributária, o professor sugere que os vendedores de canábis atuem como “organizações de bem estar social sem fins lucrativos”, uma vez que a existência de vendedores legais acaba por atuar na diminuição do tráfico de rua, e conseqüentemente da violência, em muitas comunidades pobres americanas. O estudioso acredita que a venda de um produto controlado, com certificado de procedência e qualidade, a um preço competitivo, acabaria por tirar o mercado dos vendedores ilícitos de canábis, promovendo, com isso, o “bem comum das vizinhanças e comunidades”, o que por si só já bastaria para caracterizar a isenção tributária. 

Entre pesquisas, festas, flagrantes e idéias, o tema da legalização da canábis se firma no debate político do propulsor da incoerente e sanguinária Guerra às Drogas. Os Yankees tem muito dever de casa a ser feito na questão, antes de continuarem a impor seu intento irreal de erradicação às drogas para outras nações, muitas delas atreladas aos americanos por dívidas monetárias que as impedem de contestar tal política. É hora dos EUA reconhecerem que, se não conseguem manter o consenso sobre o assunto nem dentro de suas fronteiras, devem parar imediatamente de tentar impor suas visões sobre o assunto ao resto do planeta. A Europa e a América Latina, em diversos casos, mostram que caminham e pensam com pernas e cérebros próprios, em busca de alternativas mais condizentes com a realidade. Realidade que os sucessivos governos americanos teimam em ignorar. Até quando? Façam suas apostas… 

Spannabis encerra com recorde de visitantes

 

O sábado foi movimentado na Spannabis 2013. Entre um folheto e outro, era possível provar (com muita fila) uma bongada de hashís ou uma calada de vaporizador, oferecidas por alguns expositores. No stand da editora Mama’s Edictions encontramos Jorge Cervantes, um senhor muito simpático, que sorria, batia um papo com a galera, dava uma fumadinha e promovia seu livro Culture en Intérieur. Pedimos para que ele deixasse uma mensagem para os growers brasileños:

No fim do domingo, a organização da Spannabis contabilizou quase trinta mil visitantes. Apesar do público variado, a feira direciona-se a quem busca itens para o cultivo indoor, com muitos stands de empresas que, inclusive, não estão diretamente ligadas ao setor do cãnhamo, como as de ventilação e de iluminação. O evento terminou com a premiação dos melhores de 2013. Veja os vencedores:

Melhor produto de parafernalia: SILIKA SPAIN
Melhor stand: EVA SEEDS
Melhor produto de cultivo: TOP GROWER FERTILIZERS
Melhor banco de semente: RIPPER SEEDS
Melhor novidade: SILIKA SPAIN

Dez mil celebram o direito dos maconheiros no Rio de Janeiro.

No ano de 2002, enquanto os norteamericanos prestavam homenagem e pesares pelas vítimas dos atentados contra o World Trade Center, ocorridos um ano atrás, naquele onze de setembro o Rio de Janeiro testemunhava cenas de terror ao vivo, enquanto detentos ligados ao comando vermelho – liderados pelo inimigo publico Fernandinho Beira Mar – fizeram uma rebelião no presidio de Bangu II, aonde executaram lideranças das suas duas facções rivais. Num telefonema grampeado Beira Mar teria dado a noticia a seus comparsas do lado de fora dizendo que “as duas torres caíram”. O episódio inspirou a cena de abertura do filme Tropa de Elite 2 e marcou um dos maiores picos de violência nos morros cariocas, até então praticamente todos dominados pelo “poder paralelo”.

Nesse mesmo ano de 2002, alguns meses antes, em Maio, o Rio de Janeiro dividiu com a Cidade do México (outro lugar muy violento) o título de serem as primeiras cidades latino-americanas a realizarem a Million Marijuana March, evento pedindo a legalização da maconha, justamente como solução para o problema da violência do narcotráfico. Hoje em dia existem várias experiências no mundo que comprovam a teoria de que a descriminalização e regulamentação do comércio e acesso às drogas têm grande impacto na redução das taxas de violência. Neste ano o Rio de Janeiro realizou sua décima Marcha da Maconha, o movimento cresceu e hoje são mais de quarenta cidades brasileiras se manifestando. Final de semana passado Belo Horizonte, Cuiabá, Teresina e Rio de Janeiro marcharam, e na capital fluminense foram dez mil manifestantes.

O número não superou o do ano anterior, mas foi igualmente impressionante. Em 2012 houve uma tentativa de inversão do trajeto, que não foi muito bem sucedida, pois a marcha seguiu pela pista da Av. Vieira Souto mais próxima aos prédios, ao invés da pista da praia, como costumava ser. A indignação de alguns moradores influentes pode ter sido uma das causas da até hoje não explicada atuação de policiais da CHOQUE que reprimiram violentamente a Marcha daquele ano. Para evitar novos tumultos, voltou-se ao trajeto original, do Posto 9 ao Arpoador, pelo lado da praia. O carro de som chegou pelas 14h, quando faixas foram estendidas no famoso “calçadão” de pedras portuguesas de Ipanema, aonde manifestantes se amontoavam fazendo o possível para respeitar a ciclovia. Faixas e cartazes pedindo o julgamento do RE da descriminalização e o repúdio ao Projeto de Lei do deputado Osmar Terra se somavam aos tradicionais “não compre plante” e “cultivador não é criminoso”.

Após uma série de discursos e improvisações de rappers a marcha saiu pontualmente às 16h20, com as marchinhas do Bloco Planta na Mente reforçadas por alguns membros desgarrados da mítica Orquestra Vegetal. Não demorou muito para a passeata, que no inicio deixava uma faixa para os carros, crescer e fechar a avenida, e o melhor de tudo, sem nenhum problema ou reclamação por parte da polícia que este ano seguia a marcha de longe, pianinhos. Duas horas de celebração dos direitos dos maconheiros depois, a marcha chegou ao Arpoador, aonde foi se dispersando entre a praia, o calçadão, a pedra e a praça aonde curiosamente uma banda gospel encerrava uma apresentação.

Que esta marcha sirva de inspiração para as dezenas que estão por vir no país até Julho, sem estresse com a polícia e batendo recordes de presença. Pressionando o congresso para não aprovar o retrógado PL 7663! Pressionando o STF para julgar o RE 635659 imediatamente! E pedindo em alto e bom som e a todos os pulmões, liberdade já para o usuário religioso, para Ras Geraldinho e todos os cultivadores presos!

Viva a Marcha da Maconha! Nossa vitória não será por acidente!

Retroceder jamais! Repúdio ao PL 7663/10


Graças a um tal deputado federal Osmar Terra e seu imbecil Projeto de Lei 7663/10, o Brasil está prestes a retroceder como nunca em sua política antidrogas. Paternalista, desumana, cruel e retrógrada, a proposta infeliz pretende internar usuários à força, além de aumentar a pena para pequenos traficantes. Sem falar que as tais “comunidades terapêuticas”, em sua maioria, são regidas por entidades religiosas, sobretudo evangélicas, o que indica a roubalheira de dinheiro que vem por aí.

Em repúdio à tal iniciativa, a revista semSemente – da qual muito me orgulho em fazer parte – acaba de lançar esse vídeo com depoimentos exclusivos gravados durante o “Congresso Internacional sobre Drogas 2013: Lei, Saúde e Sociedade”, que rolou na semana passada em Brasília (DF). Entre os entrevistados estão o ex-presidente da Colômbia, César Gaviria, o vereador Renato Cinco, o ex-secretário de justiça Pedro Abramovay, o professor Henrique Carneiro da USP, o jornalista Tarso Araújo, o professor Dartiu Xavier da UNIFESP e o norte-americano Ethan Nadelmann da Drug Policy Alliance.

Dá o play ae, compartilhe, faça barulho e vamos reagir a essa proposta descabida & fracassada!

Marcha da Maconha de Brasília abre Maio Verde com 5 mil manifestantes


O fim de semana passado foi agitado em Brasília, que abriu o Maio Verde com congresso e Marcha da Maconha. A cidade, que reuniu cerca de 700 inscritos no “Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade”, também abrigou a primeira Marcha da Maconha de 2013, arrastando cerca de cinco mil manifestantes no sábado dia 4 de Maio. Nos anos anteriores a Marcha de Brasília foi realizada em dias de semana, para aproveitar o fluxo intenso de carros oficiais e funcionários públicos no Plano Piloto, realizando um trajeto que contornava o congresso, com uma paradinha na praça dos três poderes para a realização de uma folha humana. Desta vez, como a Marcha foi realizada num dia de semana, o trajeto foi alterado, levando à massa ao sentido contrário, contornando a antena de TV e atravessando duas vezes a super lotada rodoviária, aonde a reação de populares se dividia entre aplausos e rostos chocados.

A Marcha foi escoltada por dez ônibus da PM, realizando um paredão que praticamente escondia a Marcha para quem passava de carro, mesmo assim os manifestantes não se intimidaram e seguiram até o final sem nenhum conflito, salvo relatos de que alguns policiais discretanente jogavam gás lacrimogêneo pela janela dos ônibus. Um carrinho de madeira movido a propulsão humana carregava potentes caixas de som que entoaram um repertório que foi de Bob Marley à Racionais MCs, com pausas para algumas palavras de ordem e jograis, geralmente pedindo a liberdade para Sativa Lover e outros cultivadores aprisionados, a legalização da canábis para todos seus fins e reforçando o repúdio ao retrógado Projeto de Lei do Deputado Osmar Terra.

No final, a Marcha voltou ao Museu da República aonde mais tarde rolou um show da banda Amanita, como parte da programação do “Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade”. Enquanto o show não começava o som ficou a cargo do carro de som da Marcha, colocado estratégicamente no topo da rampa que dá acesso ao museu. Não demorou muito para que dois PMs de moto subirem à rampa, acelerando sobre os manifestantes na atitude provocatória de sempre. Felizmente ninguém comprou a briga e os PMs deixaram a rampa, mas logo deu-se inicio a uma operação de revista aos manifestantes que deixavam o local. Não há relato de prisões.

A Marcha dá inicio ao Maio Verde, mês em que neste ano 42 cidades brasileiras marcham pela legalização da canábis. Confira o calendário completo no site da Marcha da Maconha.

Carta de Brasília em Defesa da Razão e da Vida

Profissionais de diversas áreas, acadêmicos, estudantes, ativistas… O fim de semana reuniu cerca de 700 de variados espectros em um evento precursor, com o único objetivo de debater as atuais políticas de drogas, suas consequências e possíveis alternativas para acabar de uma vez com essa guerra fracassada. Ainda que muitas opiniões sejam divergentes, há um ponto comum: a proibição das drogas causa mais males que a droga em si. Por isso, ao final do Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade, alguns dos palestrantes junto a um grupo de participantes redigiram uma carta que será entregue à presidenta Dilma Roussef. O documento é um apelo sincero que pede o fim do proibicionismo e o veto do PL 7663/10, do deputado Osmar Terra. Vale comentar que o deputado, assim como outros proibicionistas, foram convidados a participar do Congresso, tendo rejeitado o convite.

Abaixo, a carta na íntegra, já assinada por 188 pessoas. O documento será disponibilizado online para que os internautas possam assinar embaixo!

Carta de Brasília em Defesa da Razão e da Vida

O Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade foi realizado entre 3 e 5 de maio de 2013 no Museu da República em Brasília para fomentar o diálogo sobre o tema das drogas. Nós, participantes do Congresso e signatários desta carta, constatamos que a política proibicionista causa danos sociais gravíssimos que não podem persistir. Não há evidência médica, científica, jurídica, econômica ou policial para a proibição. Entretanto identificamos alarmados um risco de retrocesso iminente, em virtude do projeto de lei 7663/10, de autoria do Deputado Osmar Terra (PMDB/RS), atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, relatado pelo deputado Federal Givaldo Carimbão (PSB/AL). Entre vários equívocos, o projeto prioriza internação forçada de dependentes químicos. Vemos com indignação que autoridades do Governo Federal se pronunciam a favor dessa prática. Conforme apontado pelo relator especial sobre tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes junto ao conselho de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, a internação forçada de dependentes químicos constitui tortura. Tendo em vista a trajetória política, compromisso com os direitos humanos e experiência pessoal em relação à tortura da Presidenta Dilma Roussef, é inadmissível que o Governo Federal venha a apoiar a internação forçada. Entendemos que a aplicação dessa medida no Brasil atual representa a volta da política de higienização e segregação de classe e etnia.

Mesmo em suas versões mais brandas, o proibicionismo infringe garantias fundamentais previstas na Constituição da República, corrompe todas as esferas da sociedade, impede a pesquisa, interdita o debate e intoxica o pensamento coletivo. A tentativa de voltar a criminalizar usuários e aumentar penas relacionadas ao tráfico de drogas é um desastre na contramão do que ocorre em diversos países da América e Europa, contribuindo para aumentar ainda mais o super-­‐encarceramento e a criminalização da pobreza. A exemplo das Supremas Cortes da Argentina e da Colômbia, é preciso que o Supremo Tribunal Federal declare com urgência a inconstitucionalidade das regras criminalizadoras da posse de drogas ilícitas para uso pessoal. Em última instância, legalizar, regulamentar e taxar todas as drogas, priorizando a redução de riscos e danos, anistiando infratores de crimes não-­violentos e investindo em emprego, educação, saúde, moradia, cultura e esporte são as únicas medidas capazes de acabar efetivamente com o tráfico, com a violência e com as mortes de nosso jovens. É um imperativo ético e científico de nosso tempo, em defesa da razão e da vida humana.

O Maio Verde vem aí. E começa quente!

Dois eventos prometem esquentar a próxima semana, dando início ao Maio Verde, mês de mobilizações pró canábis no Brasil e no Mundo. Na nossa vizinha Argentina, onde o usuário não é mais criminalizado, a revista co-irmã THC organiza, junto com a Universidade Nacional de Quilmes e o Centro de Estudios de la Cultura Cannábica, a I Jornada Universitária sobre Política de Drogas y Cannábis, nos dias 29 e 30 deste mês.

Com painéis sobre o novo paradigma soberano com relação às drogas na América Latina, sobre cânhamo medicinal e industrial, sobre a ciência por trás da planta, sobre os usuários de drogas na Argentina e sobre a regulamentação através de clubes de cultivo, entre outros, o evento se propõe a debater o rotundo fracasso da política proibicionista, criando subsídios para uma “política de drogas do futuro”.

“As jornadas tem como principal objetivo incentivar o intercâmbio de informação e a cooperação entre especialistas, representantes de movimentos sociais, funcionários e a sociedade em geral, na busca de impulsionar a confecção de políticas de drogas mais humanas, justas e eficazes”, diz o release do evento.

Em terras tupiniquins, o objetivo do Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, saúde e sociedade é quase o mesmo. Organizado pela Uiversidade de Brasília – UNB, Núcleo de estudos Interdisciplinares de Psicoativos – NEIP, Conselho Federal de Psicologia – CFP, Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e pela Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos – ABESUP, o congresso objetiva “fomentar o intercâmbio entre a sociedade e reconhecidos representantes do Brasil e do mundo nas diversas áreas do conhecimento relacionadas ao tema. Especialistas do Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos vão discutir, com representantes da sociedade civil, sobre segurança pública, política, educação, cultura, medicina e saúde pública.”

Contando com a participação de reconhecidas autoridades do tema no Brasil, como Walter Maierovitch, Jurista e ex-Secretário Nacional sobre Drogas, Maria Lúcia Karam, Juíza aposentada e integrante do Law Enforcement Against Prohibition – LEAP Brasil, o ex-presidente da Colômbia Cesar Gaviria, o integrante da Drug Policy Aliance Ethan Nadelmann, e o Deputado Federal Paulo Teixeira, responsável pela redação da nova Lei de Drogas, a ser votada, o evento certamente será histórico. Teremos ainda a participação do jurista Pedro Abramovay, entrevistado da semSemente #1, e do vereador Renato Cinco, que estampará as páginas da #3. E também nossos colunistas Denis Russo e Renato Malcher, bem como o nosso coolaborador Tarso Araujo se farão presentes em mesas redondas e palestras. Para fechar com Bud campeão da Cannabis Cup, nosso sócio e amigo William Lantelme Filho estará na mesa sobre movimentos sociais. O evento ocorre de 3 a 5 de maio, no Museu da República, Esplanada dos Ministérios.

Lembrando que no dia 4, sem nenhuma relação com o Congresso, ocorrerá a Marcha da Maconha Brasília 2013, abrindo o calendário de manifestações pelo país. A equipe semSemente estará presente, e logo alguns dos participantes deste evento surgirão na revista, em entrevistas exclusivas.

Dois eventos imperdíveis. E aí, leitor semSemente, compra passagem para Buenos Aires ou para Brasília? Dá até pra se fazer presente nos dois. Compareça, prestigie, ou ao menos acompanhe as discussões do evento em Brasília pela internet, com transmissão gratuita, e aproveite esta “oportunidade inédita para se redefinir os rumos da política sobre drogas no Brasil”.

Parabenizamos a organização de ambos os eventos, e esperamos que destes frutifiquem subsidios para que a América Latina seja realmente um laboratório de uma nova forma de relação com as drogas. Maio Verde vem aí, vamos pensar, discutir, elaborar propostas e também confraternizar, primeiro em Brasília, depois em todo o país. Pois é com festa, respeito e ciência que combatemos os preconceitos que, alicerçados na proibição, ceifam milhares de vidas.

Saiba Mais:

I Jornada Universitária sobre Política de Drogas y Cannábis

www.conferenciacannabis.org

Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, saúde e sociedade

www.cid2013.com.br

Ator chileno é investigado por cultivo de canábis e compra a briga. “Vou dar a cara e deixar de ser hipócrita”

Ariel Maletuna, ator, cultivador e defensor da legalização

 

O ator chileno Ariel Mateluna, conhecido por protagonizar o filme “Machuca”, foi acusado formalmente por cultivo ilegal de ganja após ser preso na última terça-feira com uma plantação em seu apartamento. O inquérito indica que foram encontradas 36 plantas, mas o ator afirma que foram entre 20 e 25 pés. Mateuna foi liberado e aguardará o resultado do inquérito em liberdade, tendo que comparecer à delegacia mensalmente durante os 90 dias de investigação como medida cautelar.

Segundo o defensor público Gonzalo Rodriguez, advogado do artista, houve diversas irregularidades nos procedimentos por parte da polícia, já que não houve flagrante e não havia nenhum indício que autorizasse a polícia a entrar na residência. Rodriguez ainda ressalta que a erva encontrada se destinava exclusivamente ao consumo de Ariel e sua família.

Há três anos, o ator assumiu que dá uns pegas ocasionalmente, assim como sua mãe, que defende abertamente a legalização das plantações para consumo pessoal. “Minha mãe é hippie, fuma desde os 19 anos. Eu fumo desde os 18. Sou um fumante ocasional, não fumo todos os dias, e quando fumo sempre é com minha família, depois do almoço. É como um digestivo, uma sobremesa”, relatou à um programa de TV chileno.

Suas declarações nas entrevistas para os meios de comunicação do país deixam claro qual é a posição que Mateluna vai tomar. “Agora estou assumindo tudo o que vier, vou dar a cara e deixar de ser hipócrita. Se você fuma um baseado com sua família ou com quem seja, que não se veja de forma ignorante, como se a pessoa que fuma fosse um delinquente ou que a maconha abre as portas para outras drogas”. E ainda vai mais longe. “Eu acho que a maconha, ou santinha, como chamamos em casa, unifica as pessoas, por isso o sistema a persegue tanto. Porque o cara dá um pega, chega mais gente, se compartem as coisas, as ideias”.

Fontes: Soy Chile / Emol / Cooperativa.cl

 

 

Itália legaliza a maconha para fins medicinais

Enquanto os olhos do mundo estão voltados para a escolha do novo Papa, um importante acontecimento passou despercebido na Itália. No dia 23 de fevereiro deste ano, um decreto do Ministério da Saúde, publicado na Gazeta Oficial, legalizou a canábis para fins medicinais no país.

O projeto de lei foi assinado em janeiro pelo ministro da Saúde, Renato Balduzzi, passando a vigorar no mês passado. De acordo com a publicação oficial, a decisão considera que os benefícios medicinais da planta se sobrepõem ao potencial danoso e aos riscos de vício.

A canábis passa, portanto, a figurar em uma nova tabela de perigos (seção B), sendo permitida legalmente no país, para fins medicinais, em todas as suas formas. A decisão foi validada pelo Instituto Superior de Saúde, o Conselho Superior de Saúde e o Departamento de Políticas Anti-Drogas da Itália.

A Itália é o último país europeu, depois da República Tcheca, a legalizar a maconha medicinal. Confira aqui o decreto publicado pelo Ministério da Saúde italiano.

Senado do Havaí aprova a descriminalização da maconha

Essa notícia não saiu na capa de nenhum grande jornal, ainda que represente mais um pequeno passo na nossa grande luta. Em uma atitude louvável, o Senado do Havaí aprovou com unanimidade a descriminalização da posse de canábis.

A medida faz com que usuários com até uma onça, ou cerca de 28 gramas, não sejam mais enquadrados por ofensa criminal, que poderia resultar em prisão. A medida ainda não é perfeita, já que o portador ainda estará comentendo um delito civil, sujeito a multa de até US$1000.

Na semana passada, a proposta já havia sido aprovada pelo Comitê Judicial do Senado, também por unanimidade.

Os senadores apenas seguem o que a população mostra almejar. Uma pesquisa recente apontou que 58% dos residentes da ilha apoiam a descriminalização da canábis, enquanto 57% acreditam na regulamentação e taxação da erva.