Uso da cannabis tem aumento pouco significativo no risco de acidentes de trânsito

Muitos assuntos são levantados quando o tema é legalização, especialmente tratando-se da cannabis. Já se sabe da íntima relação entre o álcool e acidentes automobilísticos, mas até então nunca ninguém parou pra pensar o que pode acontecer se você pegar no volante sob efeito da amada maria.

Parece que até as pesquisas que poderiam ser usadas contra a legalização no final se transformam em argumento antiproibicionista. Uma meta-análise realizada em 66 diferentes estudos contendo 264 diferentes estimativas sobre a relação entre drogas, lícitas ou ilícitas, e acidentes automobilísticos, classificou diversas substâncias como anfetaminas, analgésicos, antiasmáticos, antidepressivos, antihistamínicos, benzodiapinas, cannabis, cocaína, opiáceos, penicilina e zopiclone, uma pílula bastante usada para problemas de insônia. O álcool ficou de fora, para evitar a redundância.

A análise foi realizada por um investigador da Universidade de Aalborg em parceria ao Instituto de Econômia do Transporte (Institute of Transport Economics), em Oslo, Noruega e foi publicado no estudo de Análise de Acidentes e Prevenção (Accident Analysis and Prevention). Após analisar cuidadosamente os resultados, o autor afirmou que o uso da cannabis tem números insignificantes com relação a acidentes de tráfego, tendo alcançado a pontuação de 1.06 para acidentes graves e 1.25 para os fatais.

Em comparação, opiáceos (1.45), tranquilizantes a base de benzodiapina (2.30), antidepressivos (1.32), cocaína (2.96), anfetaminas (4.46) e o zopiclone (2.60) apresentam números relevantes na mesma relação. Os antihistamínicos e a penicilina, ambos apresentando 1.12, são os únicos que podem ser comparados à cannabis. Em outras palavras; pegar o carro sob efeito da fumaça de Jah é tão perigoso quanto tomar um Polaramine e dirigir.

“O aumento no número de acidentes relacionado ao uso das drogas é relativamente modesto. Comparado com o enorme aumento no risco de acidentes associado ao álcool, assim o grande índice de acidentes causados por jovens motoristas, a influência destas drogas em relação a acidentes de tráfego é surpreendentemente pequena”, conclui o autor.

Antes de você se achar o Ayrton Senna da Silva, outro experimento indica que o uso combinado de álcool e cannabis pode aumentar ainda mais os riscos de acidente que a primeira substância sozinha já apresenta. Então, pessoal… Contentem-se em se achar o Rubinho, é mais seguro!

Um estudo publicado em 2011 já apontava que o risco do uso da cannabis em sí era mínimo. Ainda que vestígios da erva daninha (ou boazinha) foi encontrado na maioria dos casos de acidentes graves os fatais, os cientistas atribuíram essa estatística ao fato de que a substância é altamente utilizada no país (no caso, EUA), alem de que os componentes da marihuana se acumulam no sangue, sendo facilmente detectável muitos dias depois, porém não permanecendo nenhum efeito que poderia causar um grande acidente. Essa conclusão foi alcaçada quando comparada aos números obtidos em estados onde a maconha medicinal foi regulamentada. Neles, não houve nenhum aumento no número de acidentes automobilísticos. Ao contrário; a maioria deles apresentou um declínio nestes números.

Cannabis é a única droga capaz de regenerar células nervosas

Mais do que nunca, aquele papinho mequetrefe de que a maconha acaba com seus neurônios e sua memória está indo por água abaixo. Mais do que isso, um estudo publicado no Jornal of Clinical Investigation concluiu que alem da cannabis não matar seus neurônios, ela é a única substância capaz de regenerar as células nervosas no hipocampo, parte do cérebro associada ao aprendizado, memória, ansiedade e depressão. Reiterando outro estudo já publicado aqui na sS, se você é desmemoriado, meio lento ou lesadão, não jogue a culpa na sativa. Ela está aí para e por nós!

O estudo foi representado por diversos cientistas de várias universidades de três países diferentes. Wen Jiang, Zhang Yun, Xiao Lan, Jamie van Cleemput, Shao Ji-Ping e Xia Zhang da Universidade de Saskatchewan (Canadá), Wen Jiang da Universidade Médico-Militar de Xi’an (China) e Bai Guang, da Universidade de Maryland (EUA). Suas pesquisas consistiam em administrar doses elevadas de HU210 à ratinhos de laboratório duas vezes ao dia, durante dez dias. Esta substância sintética é semelhante aos canabinóides encontrados na cannabis sativa. Surpreendentemente – e desta vez até para nós, amantes da natureza e das ervas – eles observaram que a taxa de formação celular, processo conhecido como nerogênese, aumentou em 40% no hipocampo.

Já se sabe que drogas como o álcool, heroína, nicotina e cocaína, para citar as mais usadas, levam as células nervosas do hipocampo à destruição, mas até então só a maconha era acusada de “matar neurônios”. Indo contra a maré proibicionista de levantar dados inexistentes e entrando na onda da desmitificação ”este estudo sugere que os canabinóides são a única droga, (seja lícita ou) ilícita, cuja administração crônica pode promover a criação de células nervosas no hipocampo do cérebro adulto”, afirmam os cientistas responsáveis pela pesquisa. Até então, nenhum fármaco – e repito, nem lícito, nem ilícito – foi capaz de regenerar o tecido cerebral.

Entrando mais afundo nos porquês e razões, os cientistas explicam que ”a seleção natural conservou receptores de canabinóides em animais intactos durante a evolução por cerca de 500 milhões de anos. Isto sugere que eles têm um importante papel biológico. Os canabinóides parecem alterar os efeitos da dor, náuseas, tumores, esclerose e outras doenças em humanos e animais”, disse que a equipe cientifica.

Que a cannabis tem sido utilizada para fins médicos, legal ou ilegalmente, nós já sabemos. Também sabemos que, cada dia mais, é uma droga/medicamento que tem gerado tanto interesse público e médico quanto controvérsia. Pegando este bonde, o mesmo estudo concluiu que a cannabis tem efeitos antidepressivos e antiansiolíticos. Usando os tais ratinhos, os animais que receberam o HU210 por um mês apresentaram menos ansiedade e medo quando colocados em novos ambientes, o que geralmente é temido por roedores. Nas próprias palavras do Dr. Zhang ”os canabinóides são capazes de controlar ou reduzir a dor, náuseas, vômitos, epilepsia, acidente vascular cerebral isquêmico, trauma cerebral, esclerose múltipla, tumores e outras doenças em seres humanos como animais”.

Um estudo preliminar realizado pelo neurocientistas Barry Jacos, da Universidade de Princeton, indica que o THC e os canabinóides, o HU210 natural das plantas canábicas, não têm influência na regeneração do tecido nervoso, porém sua pesquisa não indica a dose utilizada, assim como a quantidade de tempo de administração da mesma. Segundo o estudo mencionado anteriormente, a dose necessária para os efeitos de regeneração são altas. Não adianta só fumar um fininho. Ainda assim, incompleta, esse resultado será apresentado em novembro em Washington D.C., durante a próxima reunião da Society for Neuroscience.

Apesar de algumas pessoas serem cegas para o que não querem ver e surdas para o que não querem ouvir, Paul Corry, diretor de comunicações sa Rethink, uma associação britânica dedicada ao tratamento e melhora da qualidade de vida de pacientes que padecem que distúrbios e transtornos mentais, assume que “os canabinóides são uma nova área para a investigação médica e até mesmo canabinóides sintéticos podem mostrar a evidência da regeneração dos nervos. É importante reconhecer que há mais de 60 ingredientes ativos de cannabis”.

Então, e aí? Quem vai bolar a bucha?

Informações Growroom / El Diário de Antofagasta / The Journal of Clinic Investigation

Os reaças também lêem semSemente! (Lêem mesmo?)

Como já era esperado, afinal a liberdade de expressão é direito constitucional, não demorou para a revista semSemente cair na mão e boca dos reacionários. Na terça feira a revista foi exibida e escrachada no programa “Assembléia Convida” que teve como um dos participantes um Delegado e o Coronel Edson Ferrarini, dono de clinicas de reabilitação e autor de livros sobre prevenção de drogas notórios por suas descrições fantásticas, e eventualmente instigantes, dos efeitos das drogas. Hoje, foi a vez um texto publicado aqui no blog da Revista semSemente ser citado dentro da quilométrica blogada sobre a campanha “É preciso mudar!” do Viva-Rio e CBDD assinada pelo jornalista da Veja Reinaldo Azevedo. A blogada resume-se a um espetáculo não só de preconceito e arrogância, algo esperado e que não nos cabe criticar, como também práticas condenáveis na profissão como a preguiça em apurar e a desinformação.

Através de uma simples pesquisa numa ferramenta brilhante chamada google o jornalista pode ter acesso as pesquisas “Prisão Provisória e Lei de Drogas – Um estudo sobre o flagrante de tráfico de drogas na cidade de São Paulo (2011)” realizada pelo Núcleo de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) e “Impactos da assistência jurídica a presos provisórios: um experimento na cidade do Rio de Janeiro (2011)” de Julita Lemgruber e Marcia Fernandes (CESeC – Centro de Estudos de Segurança e Cidadania). Nessas e em outras pesquisas reunidas no banco de injustiças estão os dados acerca a superlotação dos presidios por acusação de tráfico de drogas desde que entrou em vigor a lei 11.343 em 2006, além do perfil desses detentos, dados citados no site da campanha “É preciso mudar” e que o jornalista da Veja chamou de “chute, achismo, e vigarice intellectual”. Eu pessoalmente considero vigarice o jornalista usar sua posição numa dos veículos de maior visibilidade do país, para declarar que tais dados, amparados por pesquisas respeitadas, não existem.

Provavelmente o jornalista é daqueles que não suporta novela, e por isso não conheça a veterana atriz Regina Sampaio, mas se tivesse incluído a frase anterior do meu texto, todos saberiam que tratava-se de uma das atrizes que assim como Isabela Filardis estrelaram a campanha “É preciso mudar!” e compareceram ao seu evento de lançamento. Mas é claro que para sua piadinha fazer sentido o jornalista teve de editar o texto, afinal sua missão dita jornalística é propagar as principais armas dos proibicionistas – a desinformação e o medo. Vergonha de você Reinaldo Azevedo!

Pepe Mujica fará turnê nacional abrindo o debate sobre a legalização

O presidente uruguaio José Mujica realizará varias saídas em público no interior do país onde defenderá seu projeto da legalização da cannabis, segundo publicou o jornal Busqueda. Paralelamente, Mujica afirnou que enviará ao Parlamento “uma mensagem com um projeto de lei muito simples e genérico”, segundo declarações ao diário “La República”.

O líder do governo priorizou, antes de tudo, o debate nacional que se abrirá na sociedade sobre um tema que, segundo entende, se refere diretamente à segurança dos cidadãos. Segundo Mujica, deve-se “gerar uma discussão a fundo sobre o que está acontecendo na socidade”.

 

Do ponto de vista do presidente, a droga não é o problema mais grave, senão o narcotráfico. Para exemplificar, mencionou que dos 9 mil presos no sistema carcerário uruguaio, 3 mil estao lá por algum tema vinculado diretamente às drogas. Alem disso, destacou que “há um mercado ligado ao narcotráfico muito perigoso, que provoca a explosão da violência”, tanto que os narcotraficantes somente solucionam seus problemas com o “ajuste de contas”. “Isto gera um espiral de violência que incide diretamente no problema e que se percebe diretamente na sociedade”, conclui.

 

 

Uso da cannabis não afeta habilidades cognitivas a longo prazo

 

Pesquisadores do Departamento de Psicologia da Univesity of Central Florida revisaram diversos estudos que avaliam se o uso da cannabis está associado com efeitos adversos duradouros residuais sobre a cognição – ou seja; se fumar maconha afeta permanentemente a memória, te deixa cronicamente lesado. Os estudiosos relataram que o consumo da erva pode estar associado a “pequenos, mas significativos” efeitos sobre as habilidade cognitivas por um período limitado de tempo, somente quando se está sob efeito da maria. Ou seja; o uso de cannabis não está associado a “perseverar” efeitos negativos sobre as habilidades cognitivas no consumo moderado ou pesado da cannabis, de acordo com a meta-análise a ser publicada na revista Psicofarmacologia Clínica e Experimental.

Os autores do estudo não encontraram “nenhuma evidência de efeitos duradouros sobre o desempenho cognitivo devido ao uso de maconha” em indivíduos cujo o período de abstenção foi de pelo menos 25 dias. Os pesquisadores concluíram: “Como hipótese, a meta-análise conduzida em estudos que avaliam os usuários depois de pelo menos 25 dias de abstenção não encontraram efeitos residuais sobre o desempenho cognitivo. Estes resultados não sustentam a ideia de que o consumo pesado de cannabis pode resultar em efeitos persistentes sobre o funcionamento neuropsicológico, nem a longo prazo”.

Dados de ensaios clínicos publicados em 2011 na revista Addiction relataram igualmente que “não houve diferenças significativas associadas ao consumo de cannabis” sobre as várias medidas de memória e inteligência testadas em mais de 2.000 consumidores de maconha e não-usuários, ao longo de um período de oito anos. Os autores do estudo concluíram que “os impactos adversos do uso da maconha nas funções cognitivas ou parecem estar relacionados a fatores pré-existentes ou são reversíveis mesmo após períodos prolongados de utilização frequente.”

by Tali Sztokbant

Informações: Norml

Cannabis é a substância ilícita mais popular do mundo

Essa também não parece novidade para nós, mas para embasar nossos argumentos, mais um estudo! De acordo com uma pesquisa realizada pela ONU, a cannabis é a substância ilícita mais produzida, traficada e consumida no mundo inteiro, ultrapassando a cocaína, que sempre esteve na ponta.

Obviamente, como não há controle, não é possível chegar a um número exato, mas calcula-se que entre 119 e 224 milhões de pessoas no mundo fumem um baseadinho de vez em quando, contando somente os maiores de 18 anos. Alem disso, não existem sinais que indicam que a popularidade da cannabis cairá nos próximos anos. A planta é consumida de alguma maneira em todos países e seu consumo está crescendo na maioria deles. O número de usuários está estabilizado na América do Norte, ambos EUA e Canadá, e Oceania, porém os números estão em ascensão no norte da África e África do Sul, no sul e sudeste da Ásia e Américas Central e do Sul.

Em 2010, Austrália e Nova Zelândia ocupavam o primeiro lugar no ranking de países com maior número de consumidores, com os EUA e Canadá em segundo lugar seguidos Espanha, França, Itália e República Checa em terceiro. Nigéria, Zâmbia e Madagascar estão juntos na quarta posição.

O estudo da ONU ainda observou mudanças em alguns padrões sociais. Alguns destaque interessantes: O mercado europeu está deixando de lado a resina da cannabis –  o tal do hashish, chocolate, Robinho ou como você quiser chamar! – e consumindo mais a erva em si, que é mais popular na América. Já no Afeganistão, que sempre despontou como grande produtor de heroína e opiáceos, hoje tem a marihuana como mais lucrativo negócio ilícito. E a boa notícia para nós, que não cansamos de reiterar que apesar de usuários, somos contra o tráfico; o mercado de sementes cresceu quase que imensurávelmente (não há números) entre 2008 e 2010, contando com quase 200 marcas diferente diponíveis online. Ou seja, alem de consumir mais, o povo está plantando mais. Isso sim é boa notícia!

A pesquisa também concluiu que a cannabis está ficando mais potente em países desenvolvidos. A popularização do cultivo hidropônico permite que a erva tenha mais chances de se desenvolver indoor e resulta numa planta mais potente que aquelas cultivadas em de maneira tradicional, na terra.

Como consequência da proibição, é preciso ter cuidado com as imitações de maconha, ou de qualquer outra droga. Novas substâncias químicas estão surgindo no mundo inteiro e cópias de cannabis não são exceção. É o caso dos supostos sais de banho que andam vendendo por aí, que apesar de, teoricamente, não serem feitos para consumo, ou fumo, contêm canabinóides que emulam os efeitos da maconha, porém são compostos de produtos legais, o que não quer dizer de maneira alguma que sejam menos perigosos.

Então, mais um ponto para nós. Quando alguém te disser que o tráfico não vai acabar porque o grosso vem de outras drogas, você já pode dizer que mais esse mito foi derrubado. Talvez o tráfico não se extingua de vez, mas ao menos ele será enfraquecido. E com tanta gente por aí curtindo um cigarrinho de artista e os números expoentes, já passou da hora dessa discussão ser levada à sério.

Tali Sztokbant

Fonte: Time

Estudo aponta álcool como causador do efeito “porta de entrada”

 

Sabe aquela história de que a maconha é a “porta de entrada” para outras drogas? Agora, mais do que nunca, podemos dizer aos proibicionistas que isso não passa de papo-furado! Um estudo do The Journal of School Health considera que a antiga teoria do  efeito “porta de entrada” pode ter fundamento, mas inocenta o uso da cannabis e transfere a culpa para a droga mais aceita socialmente e difundida mundialmente: ele mesmo, o álcool.

Você deve estar pensando: “eu já sabia”, mas a Pesquisa Anual de Monitoramento do Futuro, elaborada pela Universidade de Michigan, que estudou o uso da maconha, cocaína, heroína, LSD, anfetaminas, tranquilizantes, entre outros narcóticos, confirmou que o uso da cannabis não é o principal indicador de que a pessoa vá passar a substâncias mais perigosas. “Ao atrasar o início da iniciação no álcool, as taxas de abuso tanto de substâncias lícitas como o tabaco quanto o uso de substâncias ilícitas como a maconha e outras drogas será afetada positivamente, sendo jogadas para baixo”, afirmou o coautor do estudo, Adam E. Barry, professor assistente da Universidade da Flórida no Departamento de Educação em Saúde e Comportamento. Isto quer dizer que quanto mais cedo um jovem começar a beber, mais chances ele terá de se envolver com outras drogas.

O estudo de Barry mostra evidências de que comportamentos de abuso de substâncias pode ser previsto com um alto grau de precisão examinando a histórico de drogas do sujeito. O pesquisador acredita que a noção persistente e equivocada de maconha como principal porta de entrada para mais substâncias nocivas é consequência do absurdo e exagerado “Reefer Madness”, filme estaduniense da década de 30 montado para exibição nas escolas contra o uso da planta – também conhecido como “Tell Your Children“.

“Então, basicamente, se soubermos como alguém se comporta em relação ao uso de álcool, então devemos ser capazes de prever o que essa pessoa responderá com outras [drogas]“, explicou. “Outro jeito de dizer é que se soubermos que alguém usou heroína, podemos deduzir que também usou outras drogas”.

Ao comparar as taxas de abuso de substâncias entre bebedores e não-bebedores, eles finalmente descobriram que os que haviam consumido álcool na escola pelo menos uma vez em suas vidas “eram 13 vezes mais propensos a usar cigarros, tinham16 vezes mais chances de usar maconha e outros narcóticos e 13 vezes mais propensos a usar cocaína “. O artigo também divulgou que 71% dos jovens de até 17 anos já consumiram álcool, enquanto cerca de 44% já experimentaram maconha e 6% utilizaram cocaína.

O estudo sugere que fazer da educação sobre o álcool uma prioridade poderia realmente virar o jogo na Guerra às Drogas – mas somente se os legisladores e educadores decidirem usar a ciência como base para políticas públicas e currículo escolar. “Acho que [estes resultados] têm a ver com nível de acesso das crianças têm ao álcool, e que o álcool é visto como menos prejudicial do que algumas destas outras substâncias,” Barry acrescentou. “O consumo de drogas normalmente começa com as que são socialmente aceitas, como álcool e cigarros, para só então evoluir para o uso de maconha e, finalmente, para outras substâncias mais pesadas”, resume.

Em poucas palavras: alem do contato com o traficante facilitar o acesso à substâncias mais pesada, é também a precocidade no consumo de álcool que poderá definir se o usuário irá ou não envolver-se com outras drogas. Mais um argumento antiproibicionista!

Tali Sztokbant

Fonte: The Raw Story, Blog da MaryJuana / Para saber mais: Time Healthland  (em inglês)

Campanha pela descriminalização causa polêmica entre cultivadores brasileiros

by MaryJuana

Lançada na semana passada, a campanha da ONG Viva Rio em prol da descriminalização do uso de drogas chamou atenção por  estampar o material de divulgação com as imagens de famosos como Luana Piovani, Isabel Filladis, Luis Melo e a estilista Regina Sampaio. Intitulada “Lei de Drogas: é preciso mudar”, a ação pretende angariar 1 milhão de assinaturas em apoio ao projeto de lei que será apresentado ao Congresso Nacional com o objetivo de tornar a legislação sobre drogas no país mais branda e eficaz.

A Lei 11.343/2006, que regulamenta a política de drogas no Brasil, não faz distinção clara entre usuário e traficante. Desde que entrou em vigor, o número de presos por crimes relacionados às drogas no país dobrou. Essa falta de clareza leva à prisão milhares usuários, que geralmente nunca cometeram outros delitos, não têm relação com o crime organizado e portavam pequenas quantidades da droga no ato da detenção.

Na teoria, o que está sendo proposto é deslocar a questão das drogas da área da segurança pública para a saúde e a assistência social; descriminalizar o consumo de drogas; estabelecer diferenças entre usuário e traficante; e garantir tratamento para dependentes químicos.

Mas, na prática, o fato é que não vai mudar muita coisa.”Será prudente não portar, plantar, nem armazenar mais do que a autoridade administrativa de saúde considerar suficiente para o consumo pessoal por dez dias pois, uma quantidade maior que esta, poderá ser considerada tráfico”, explica André Barros, advogado da Marcha da Maconha.

A questão do “consumo pessoal para dez dias”, por si só, gera uma série de controvérsias por motivos óbvios: o que eu consumo em dez dias pode ser menos da metade ou mais do que o triplo do que você consome, por exemplo. Além disso, as mudanças não contemplam a descriminalização do cultivo caseiro e o uso medicinal, o que gerou polêmica entre os cultivadores, que já preparam um manifesto exigindo mais avanços nas alterações.

Reunidos através do site Growroom, os cultivadores louvam a iniciativa da campanha, mas criticam a falta de inovações nas mudanças, especialmente a legislação sobre cultivo. “No caso da canábis, que é uma planta anual, é um absurdo só poder ter a quantidade para dez dias como uso pessoal. A discussão deve ser muito mais profunda. Mais avançada,  com uma mudança que seja real. Chega de hipocrisia, temores e falsos moralismos. Esse projeto não soluciona muito, não”, opina um dos usuários.

As controvérsias não param por aí. Continua a valer a pena de 5 a 15 anos para o que for enquadrado como tráfico. “Mas ao mesmo tempo também se exclui o crime quando o sujeito adquire, guarda, tem em depósito, transporta ou traz consigo drogas para consumo pessoal ou semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de drogas para consumo pessoal”, completa André Barros.

“Achei o propósito fraco. Instituir Comissão pra cuidar das apreensões com destinação pessoal, que continuará aplicando penas para o usuário. No lugar do juizado encontrar o juiz, você irá pra comissão ser ouvido, provavelmente, por psicologos, assistentes sociais e coisas do tipo.”, aponta outro cultivador.
Mais subjetividade surge na hora de determinar se a substância é para uso pessoal, pois cabe ao juiz atender à natureza e à quantidade da substância apreendida, à conduta, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, bem como às circunstâncias sociais e pessoais do agente. Um prato cheio para ações arbitrárias e injustas, na opinião do advogado. ”As mudanças abrem um arco enorme para abusos de autoridades, que vão querer prender por tráfico todos que forem pegos com quantidade acima do limite que será estabelecido pela autoridade administrativa de saúde: isto é que é terrorismo legal!”

 

O novo projeto de lei foi elaborado pelos juristas Pedro Abramovay, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e coordenador do Banco de Injustiças; Cristiano Maronna, membro da diretoria do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e Luciana Boiteux Rodrigues, professora de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre outros.

Clique aqui para saber mais sobre o manifesto que está sendo elaborado pelos cultivadores.

 

Lançamento da Campanha “Lei de Drogas: É preciso mudar”

O auditório da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro ficou pequeno no evento de lançamento da campanha “Lei de Drogas: É Preciso Mudar” convocado pela Comissão Brasileira Drogas e Democracia e o Viva Rio, com praticamente três fileiras destinadas aos discursantes. Após uma breve apresentação por parte de Rubem Cesar do Viva Rio e os publicitários responsáveis pela campanha, escolhidos após um concurso, foram exibidos os oito vídeos que começam a ser veiculados na TV hoje. Em seguida, vários representantes da sociedade apoiaram a campanha cujo principal objetivo é descriminalizar o uso e porte de drogas e deslocar essa questão da área de Segurança Pública para a da Saúde e Assistência Social. O Brasil tem a quarta população prisional do mundo, após a Nova Lei de drogas entrou em cinco anos atrás, enquanto teoricamente não se pode mais encarcerar um usuário o número de presos acusados por tráfico triplicou, numa clara amostra do fracasso dessa Lei. A ideia do Projeto “É Preciso mudar”, nas palavras do Deputado Paulo Teixeira é “Resolver o problema com solidariedade e saúde e não polícia ou prisão”.

Para convencer a população, foram produzidos uma série de filmes aonde num clima sombrio, dois defensores públicos e seis atores contam histórias reais de pessoas que tiveram suas vidas destruídas após serem injustamente presas sob acusação de tráfico. A global Regina Sampaio interpreta a mãe de um usuário, que ficou dez meses presa porque encontraram droga na sua casa, Luana Piovanni é uma universitária que amargou 74 dias na cadeia por ter uma quantidade “excessiva” de droga, Isabel Fillardis é uma jovem mãe dependente que pegou quatro meses. Os defensores públicos contam a história de um jovem indiciado por tráfico possuindo apenas meia grama e a de uma jovem prostituta foi presa quando numa batida policial seu cliente fugiu deixando drogas para trás, a história mais chocante é contada por Luis Melo, um usuário foi preso junto com sua mulher, que acabou morrendo de tuberculose enquanto aguardava julgamento na cadeia. Todas essas histórias foram coletadas do Banco de Injustiças, projeto encabeçado pelo jurista Pedro Abramovay, que é um dos autores do projeto que será apresentado pelo Deputado Paulo Teixeira. Uma campanha lançada hoje no site AVAAZ pretende recolher 50mil assinaturas que serão levadas ao congresso. Em seguida, começa o trabalho de colher assinaturas físicas, com o objetivo de alcançar um milhão e trezentas mil assinaturas.

Apesar de declaradamente inspirado no modelo Português, aonde os usuários flagrados são encaminhados a avaliação psicológica e cursos de combate a dependência, muito se discutiu sobre os avanços nos países vizinhos. “A posição que governos de vários países da América do Sul estão tomando não está acontecendo no Brasil” disse Ilona Szabo da Comissão Global Drogas e Democracia, “Apoio o mandato da Dilma em vários aspectos, mas acredito que nesse assunto ela não deu bons passos” disse o Secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro Carlos Minc, em referencia a saída do Pedro Abramovay da Senad. O próprio Abramovay completa “O Brasil tem sido observado internacionalmente por vencer vários desafios em que a esperança vence o medo. Mas no assunto das drogas, o medo ainda vence a esperança, o Brasil não consegue desarmar essaa armadilha do medo. É medo por parte dos políticos, dos meios de comunicação, ou das pessoas, de falar do assunto. Imaginar que a opinião pública não pode discutir esse tema, é não confiar na opinião pública brasileira”.

Focando antes de mais nada em separar claramente o usuário e o traficante e usar a policia para combater o crime organizado, o projeto vem sido criticado por alguns indivíduos e coletivos do movimento antiproibicionista, sobretudo aqueles que defendem o cultivo da canábis para uso próprio. No meio dessa discussão, o discurso do Coronel Jorge da Silva doutor em Ciências Sociais e ex-comandante do Estado Maior da PMERJ chamou atenção: “Em algum momento já passou pela minha cabeça, assim como na de praticamente todo policial, de que o usuário era pior que o traficante. Mas depois de ver vários colegas, traficantes e moradores de comunidade serem enterrados comecei a entender a insanidade que é o modo como o mundo decidiu enfrentar a questão das drogas. A penalização e a criminalização foi testada e faliu. A descriminalização é que ainda não foi testada. Está na hora de testarmos – Descriminalizar apenas a droga, sem descriminalizar a fonte também não faz sentido”.

Após vários políticos, juristas, representantes da igreja católica e evangélica (que deixaram claro que infelizmente não representam a opinião oficial dessas comunidades), assistentes sociais e representantes do sistema prisional inundarem o auditório com dados, discursos e eventuais autopromoções finalmente abriu-se espaço para uma breve coletiva. Apesar de uma das ideias do projeto ser trazer o debate para sociedade, questões como a regulamentação da venda de drogas, ou mesmo a inclusão do cultivo para uso próprio na proposta não foram bem recebidos pela bancada que evadiu dizendo que o projeto “não procurava resolver todos os problemas de uma vez” ou mesmo que “quem é criminalizado é o usuário e não a droga! A droga é legal ou ilegal!”. Finalmente, a coletiva encerrou-se com os depoimentos de duas estrelas da campanha, Isabel Fillardis declarou que não é nem nunca foi usuária mas ficou tocada pelas histórias das pessoas “Esse assunto precisa ser falado e discutido, então eu quis falar do assunto!”. A veterana Regina Sampaio foi mais além “Eu venho de uma geração bem atrás, quando o assunto das drogas era bem diferente. Hoje ele é uma questão social. Eu sempre fui contra radicalismos, para mim tudo que você faz dentro do seu limite é permitido. Prefiro que meu filho fume maconha do que beba. Tudo que é exagero faz mal, mas eu acho que a maconha não faz mal para ninguém. É muito pior um bêbado em casa do que um cara que fuma unzinho na dele.” Após esse depoimento Rubem Cesar encerrou o evento, restando aos poucos presentes uma mesa farta de croquetes, sanduiches de linguiça e outros quitutes, devidamente atacada enquanto, em off, se rediscutia tudo que foi debatido…

Oliver Stone defende descriminalização em novo filme

 

O diretor americano Oliver Stone ganhou fama internacional ao expor, sem piedade, a violência nas telas do cinema: foi assim em Assassinos por natureza e Platoon, o que lhe garantiu três Oscars ao longo de sua carreira. Agora, Stone escolheu mostrar um outro tipo de violência, a do tráfico de drogas e dos cartéis mexicanos.

Este é o tema principal de Savages, o novo filme do diretor americano que rapidamente já deu o que falar – e não apenas pela sua habilidade em lidar com a ‘sétima arte’.

Stone, com sua sinceridade muitas vezes dura, engrossou o coro pela descriminalização das drogas. “A guerra às drogas não conhece fronteiras. É uma forma de escravidão fazer com que tantos jovens acabem na prisão por tráfico. Isso é um problema internacional e não acabará a menos que se mudem as regras. Descriminalizar as drogas seria um primeiro passo”, propôs o diretor em entrevista concedida à BBC em Los Angeles, na Califórnia.

Usuário assumido de maconha desde sua incursão como soldado no Vietnã, no final dos anos 60, Stone afirma ter provado de todos os tipos da erva. “A melhor que fumei em 40 anos é produzida na Califórnia”, confessa. Foi a Califórnia, aliás, o cenário escolhido por Stone para narrar uma história de ficção de um cartel mexicano que busca expandir seus negócios. Para isso, precisa do apoio de um trio de jovens amantes de praia e vendedores de maconha “caseira”.

O confronto entre os dois modelos de negócios para a distribuição de substâncias ilícitas foi a forma que Stone escolheu para refletir sobre uma verdade que o cineasta considera inegável: a droga, e sua guerra associada, são um fenômeno que atinge ambos os lados da fronteira. “É curioso que nenhuma violência eclodiu deste lado, com exceção de incidentes isolados. Há mortos, há violência, sim. Mas é uma onda proporcional à atividade. É interesse dos cartéis mexicanos que isso se mantenha, porque uma má publicidade nos Estados Unidos lhes traria graves consequências”, explica. “Eu fui ao México e conversei com muitas pessoas, de ambos os lados da lei. Savages é uma ficção hipotética, não é Traffic, que tem um estilo mais documental”, afirma o diretor.

A batalha travada em seu recém-lançado filme, em termos conceituais, é, nas palavras de Stone, um confronto entre “o Walmart (rede de supermercados americana) contra um pequeno armazém”: a luta por território entre um cartel e um trio de jovens que não querem desistir de seu humilde, mas rentável negócio.

“Não vou fazer acusações que amanhã aparecerão na imprensa mexicana, mas duas coisas ficaram claras para mim durante a pesquisa para este filme: a primeira é que há muito dinheiro no México tentando entrar na economia legal. A segunda é que as responsabilidades do tráfico também estão do outro lado da fronteira”, afirma Stone, em alusão aos Estados Unidos.

O cineasta também não poupa críticas às políticas empreendidas pelo México: a guerra contra os cartéis “têm sido um desastre”, o que, segundo ele, dá mais força ao seu argumento a favor da descriminalização.

Em algumas cenas, Savages diz a que veio: revela um universo complexo onde “nenhuma crueldade é demais”, pois retrata fielmente os bastidores do contrabando das drogas no interior do México. Porém, em outros momentos, mais parece um panfleto sangrento sobre a legalização das drogas. Stone, entretanto, pouco se importa com as críticas e tem uma frase na ponta da língua para defender-se de mais uma controvérsia. “O mundo está vendo tudo em proporções aumentadas, da violência ao entretenimento. Este filme é meu e ninguém tem nada com isso”.

Fonte: BBC / Trailer: IMDB