Muitos assuntos são levantados quando o tema é legalização, especialmente tratando-se da cannabis. Já se sabe da íntima relação entre o álcool e acidentes automobilísticos, mas até então nunca ninguém parou pra pensar o que pode acontecer se você pegar no volante sob efeito da amada maria.
Parece que até as pesquisas que poderiam ser usadas contra a legalização no final se transformam em argumento antiproibicionista. Uma meta-análise realizada em 66 diferentes estudos contendo 264 diferentes estimativas sobre a relação entre drogas, lícitas ou ilícitas, e acidentes automobilísticos, classificou diversas substâncias como anfetaminas, analgésicos, antiasmáticos, antidepressivos, antihistamínicos, benzodiapinas, cannabis, cocaína, opiáceos, penicilina e zopiclone, uma pílula bastante usada para problemas de insônia. O álcool ficou de fora, para evitar a redundância.
A análise foi realizada por um investigador da Universidade de Aalborg em parceria ao Instituto de Econômia do Transporte (Institute of Transport Economics), em Oslo, Noruega e foi publicado no estudo de Análise de Acidentes e Prevenção (Accident Analysis and Prevention). Após analisar cuidadosamente os resultados, o autor afirmou que o uso da cannabis tem números insignificantes com relação a acidentes de tráfego, tendo alcançado a pontuação de 1.06 para acidentes graves e 1.25 para os fatais.
Em comparação, opiáceos (1.45), tranquilizantes a base de benzodiapina (2.30), antidepressivos (1.32), cocaína (2.96), anfetaminas (4.46) e o zopiclone (2.60) apresentam números relevantes na mesma relação. Os antihistamínicos e a penicilina, ambos apresentando 1.12, são os únicos que podem ser comparados à cannabis. Em outras palavras; pegar o carro sob efeito da fumaça de Jah é tão perigoso quanto tomar um Polaramine e dirigir.
“O aumento no número de acidentes relacionado ao uso das drogas é relativamente modesto. Comparado com o enorme aumento no risco de acidentes associado ao álcool, assim o grande índice de acidentes causados por jovens motoristas, a influência destas drogas em relação a acidentes de tráfego é surpreendentemente pequena”, conclui o autor.
Antes de você se achar o Ayrton Senna da Silva, outro experimento indica que o uso combinado de álcool e cannabis pode aumentar ainda mais os riscos de acidente que a primeira substância sozinha já apresenta. Então, pessoal… Contentem-se em se achar o Rubinho, é mais seguro!
Um estudo publicado em 2011 já apontava que o risco do uso da cannabis em sí era mínimo. Ainda que vestígios da erva daninha (ou boazinha) foi encontrado na maioria dos casos de acidentes graves os fatais, os cientistas atribuíram essa estatística ao fato de que a substância é altamente utilizada no país (no caso, EUA), alem de que os componentes da marihuana se acumulam no sangue, sendo facilmente detectável muitos dias depois, porém não permanecendo nenhum efeito que poderia causar um grande acidente. Essa conclusão foi alcaçada quando comparada aos números obtidos em estados onde a maconha medicinal foi regulamentada. Neles, não houve nenhum aumento no número de acidentes automobilísticos. Ao contrário; a maioria deles apresentou um declínio nestes números.

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