Itália legaliza a maconha para fins medicinais

Enquanto os olhos do mundo estão voltados para a escolha do novo Papa, um importante acontecimento passou despercebido na Itália. No dia 23 de fevereiro deste ano, um decreto do Ministério da Saúde, publicado na Gazeta Oficial, legalizou a canábis para fins medicinais no país.

O projeto de lei foi assinado em janeiro pelo ministro da Saúde, Renato Balduzzi, passando a vigorar no mês passado. De acordo com a publicação oficial, a decisão considera que os benefícios medicinais da planta se sobrepõem ao potencial danoso e aos riscos de vício.

A canábis passa, portanto, a figurar em uma nova tabela de perigos (seção B), sendo permitida legalmente no país, para fins medicinais, em todas as suas formas. A decisão foi validada pelo Instituto Superior de Saúde, o Conselho Superior de Saúde e o Departamento de Políticas Anti-Drogas da Itália.

A Itália é o último país europeu, depois da República Tcheca, a legalizar a maconha medicinal. Confira aqui o decreto publicado pelo Ministério da Saúde italiano.

STF julga a descriminalização da maconha nesse semestre

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, nesse semestre, a descriminalização da maconha no Brasil. A informação é de Mônica Bergamo, colunista da Rádio Band News FM. Na última quarta-feira, 27 de fevereiro, a jornalista informou que o Supremo já ouviu as partes favoráveis e contrárias à descriminalização, e que o processo está pronto para ser debatido. “Eu conversei com alguns ministros que disseram que isso será colocado em pauta ainda nesse semestre. E arriscaria dizer que a tendência do Supremo Tribunal Federal é pela descriminalização das drogas. Ou seja: elas continuariam proibidas, porém o usuário apanhado não seria mais penalizado de forma alguma”.

O processo a que se refere a jornalista é o Recurso Extrordinário (RE) 635659, cujo relator é o ministro Gilmar Mendes, que foi entendido, em 2011, como de repercussão geral – ou seja, que representa interesse público. Os autos questionam a decisão que condenou, pelo artigo 28, o detento Francisco Benedito da Silva, com quem foram encontradas 3 gramas de maconha na Cadeia de Diadema. O detento recebeu pena de dois meses de prestação de serviços à comunidade, decisão questionada pelo recurso. Clique aqui para saber mais sobre a RE 635659.

Em seu informe, Mônica Bergamo lembrou que, desde 2006, as penas foram abrandadas pela Lei 11343, mas que o usuário de droga ainda é tipificado como criminoso em terras brasileiras. E comentou a opinião das entidades e organizações favoráveis à descriminalização: “As entidades defendem que a criminalização afronta a Constituição, pois ela protege a vida privada e a intimidade das pessoas. Eles citam, também, a dignidade humana e a pluralidade. Dignidade no sentido de que cada um tem capacidade de autodeterminação. E pluralidade no sentido de que devem ser tolerados, na sociedade, diferentes modos de vida, de estilo e de ideologia”.

A  jornalista informou que foram citados, na discussão, exemplos de países que já descriminalizaram o uso de drogas sem que o consumo aumentasse, como Portugal, Espanha, Colômbia, Itália e Alemanha.

“Um avanço, ainda que tímido”

A frase acima é do âncora da Band News, Ricardo Boechat, notório defensor da legalização da maconha. Ao comentar a notícia, o jornalista ressaltou que a proposta representa um importante passo, mas que ainda está longe de ser a solução. “O que tem o Estado, o que têm as leis, o que tem a sociedade a ver com aquelas práticas que eu adoto dentro do meu ambiente, dentro da reserva dos meus espaços, com meus amigos ou sozinho, desde que isso que faço, privadamente, não produza consequências públicas que interfiram no direito, na vida e na privacidade dos demais? Se eu quero, em casa, apertar um baseado, fumar um tronco, e sair dando gargalhada pela calçada, desde quando gargalhada afeta o destino da sociedade?”.

Boechat arrematou a questão ao colocar em cheque a política proibicionista de combate às drogas, ainda adotada pela maioria dos países. “O modelo de lidar com as drogas no mundo sempre se baseou na repressão e na criminalização. E foi um fracasso! É um fracasso! Esta criminalização, que chama de tráfico aquilo que poderia ser comércio, faz com que se alimente uma grande máquina de corrupção e de injustiças, nos campos policial, judicial e prisional. O mundo, em algum momento, vai dizer: realmente, quanto tempo perdemos com essa idiotice”.

Ouça aqui o comentário de Ricardo Boechat na íntegra.

O papel da Marcha da Maconha

Para André Barros, ativista e advogado da Marcha da Maconha, as manifestações pelo Brasil foram determinantes para colocar a questão no STF. Ele relembra a histórica votação da ADPF 187 pelo STF, em 2011, que garantiu a legalidade da Marcha. “Nós ganhamos, tínhamos razão, estávamos amparados pelo direito de reunião previsto no inciso XVI da Constituição Federal”.

O advogado enfatiza que, no mesmo, ano, o STF entendeu que havia repercussão geral no RE 635659. “Esperávamos que o recurso fosse julgado em 2012, mas não foi. Agora, 2013 tem tudo para ser o ano em que o uso da maconha e de outra substâncias proibidas no Brasil seja julgado e descriminalizado. Temos que incentivar a Marcha da Maconha a pautar e cobrar esse processo no Supremo”.

Nesse link, você pode acompanhar o andamento da RE 635659.

Propaganda pede a legalização da maconha em Washington

Enquanto o Brasil se surpreende com a série de propagandas da tímida campanha “Lei de Drogas: É Preciso Mudar”, exibidas pouquíssimas vezes na televisão brasileira, os Estados Unidos já caminham a passos mais largos com relação ao debate do tema na TV aberta.

Desde o início de agosto, vem sendo veiculada, em Washington, uma propaganda que defende o projeto de legalização da maconha proposto pela Initiative 502, projeto que será votado pela população local no dia 6 de novembro. Será a primeira vez que Washington vai se posicionar sobre o debate, como antecipou a semSemente.

No vídeo publicitário, uma mãe “conversa” com a câmera e expõe alguns argumentos pelos quais a população deve defender a I502, tais como o fim da prisão de usuários, a diminuição da violência, a taxação da venda da erva e o repasse de recursos ao governo, entre outros.

A propaganda mostra uma abordagem clara e racional, que tem o intuito de atingir, principalmente, as mães e outras populações não fumantes – levando o debate para os caretas, que são quem mais precisam de informação sobre o assunto.

Entre os objetivos da Initiative 502, estão a legalização da posse de maconha, para adultos acima de 21 anos, e a venda regulamentada em locais autorizados pelo governo e abastecidos por cultivadores licenciados. A proposta prevê, ainda, que 25% do valor das vendas sejam taxados em impostos que serão revertidos em campanhas de prevenção e iniciativas de auxílio social e educacional a dependentes químicos.

Para saber mais, acesse www.newapproachwa.org.

Uruguai se prepara para legalizar a maconha

O governo do Uruguai anunciará nesta quarta-feira, 20 de junho, durante entrevista coletiva, um projeto de lei que regulamenta a venda, o cultivo e o consumo da maconha no país. A iniciativa prevê a comercialização da planta pelo próprio governo, com registro de consumidores e limite de 40 baseados por mês, segundo informações do jornal El País.

A medida proposta pelo Poder Executivo, com apoio do presidente José Mujica, da Secretaria de Segurança e de um grupo interdisciplinar de profissionais, tem o objetivo de combater a venda e o consumo da pasta-base da cocaína. De acordo com o portal Subrayado, fontes do governo que trabalharam na elaboração do projeto afirmam que o objetivo é evitar que consumidores de maconha tenham contato com o crime organizado, ao irem até “bocas de fumo” que oferecem drogas pesadas, como a pasta-base.

Segundo a reportagem, o projeto ainda requer aprovação do Parlamento para ser instaurado. A ideia é passar o controle da regulamentação para as mãos do Estado, que será encarregado pelas vendas, permitidas com apresentação do documento de identidade. Os impostos arrecadados vão destinar-se a projetos de reabilitação para viciados em drogas. Se a medida for aprovada,  o Uruguai será o primeiro país da América Latina a legalizar a erva.

Ativistas estão cautelosos

A semSemente conversou com Juan Vaz, da Asociación de Estudios del Cannabis del Uruguay (AECU), para saber a opinião dos ativistas uruguaios sobre a notícia. Segundo Vaz, a associação vai esperar o anúncio para se manifestar, já que ainda não teve acesso ao texto do projeto.

A AECU esperava a aprovação do projeto de lei de coautoria do deputado federal Nicolas Nuñez, que propunha a legalização do cultivo caseiro e a implantação de clubes sociais de consumo, tal qual acontece na Espanha. “Não gostamos que a maconha seja vendida pelo Estado. Tampouco vemos com bons olhos a confecção de uma lista de usuários, que poderia ser utilizada com outros fins”, afirmou.

Contudo, Juan Vaz destaca que a associação confia que o projeto regulamente o cultivo caseiro, como foi previamente anunciado, ainda sem informações. “É o que esperamos. De qualquer forma, a notícia não faz outra coisa senão colocar o assunto em pauta na imprensa e gerar o debate, e isso é muito bom. Vamos esperar a coletiva de amanhã para entrar nos pormenores”.

Em sua página no Facebook, o deputado Nicolas Nuñez se mostrou otimista com a medida, que garantiu também prever a regulamentação do autocultivo. “O governo saiu do armário com as políticas de drogas. Propõe-se legalizar o autocultivo e a venda, ou seja, não é só venda. A lei será efetiva quanto a diminuir o consumo das drogas mais pesadas, quando, para os usuários, se tornar mais fácil adquirir a maconha legalmente que ilegalmente”, argumentou.

Oliver Stone(d) na High Times

Primeira publicação canábica do mundo, a pioneira revista High Times já tirou muita gente do armário. Na edição de junho, que chegou às bancas dos Estados Unidos nesta terça-feira, 12, foi a vez do cineasta Oliver Stone explanar geral. O diretor norte-americano aparece na capa, fumando um baseado, com a chamada que diz, em livre tradução, “sobre maconha, política e seu novo filme Savages“. A piada pronta apareceu rapidamente nas redes sociais: Oliver Stoned.

A reportagem da revista – que recentemente estampou a bela atriz pornô Jenna Jameson – demonstra as proporções que o debate sobre a legalização da maconha têm alcançado na “terra da liberdade” ao descortinar o posicionamento de uma importante figura pública, como é o caso do cineasta. “Nós aplaudimos Oliver Stone pela coragem de demonstrar apoio à causa da maconha”, afirmou o editor-chefe da revista, Chris Simunek, na apresentação da matéria.

Maconheiro premiado

Apesar de ser sua primeira manifestação pública em defesa da legalização, Oliver Stone é conhecido por seu apreço pela erva. Infelizmente, foi preso duas vezes em sua vida: aos 21 anos, por porte de maconha no México, e em 1999, por porte de haxixe. O cineasta é, também, uma prova viva de que a relação entre o consumo de maconha e o fracasso na vida profissional não passa de um falacioso mantra proibicionista.

Formado nas universidades de Yale e de Nova Iorque, o cineasta ganhou dois Oscar de melhor diretor com os épicos filmes de guerra Platoon e Born on the Fourth of July (Nascido em quatro de julho). Além do mais, dirigiu dois clássicos do cinema cult – Natural Born Killers (Assassinos Por Natureza) e The Doors – e ajudou a elaborar os roteiros de longas como Scarface, Evita e Midnight Express (Expresso da Meia Noite). O último, que lhe rendeu Oscar de melhor roteiro adaptado, conta a história verídica de um jovem preso num aeroporto da Turquia ao tentar deixar o país com pacotes de haxixe escondidos no corpo.

Atualmente, Stone trabalha em seu próximo filme, Savages, que tem lançamento previso para 6 de julho nos Estados Unidos. O aguardado trabalho conta a história de dois traficantes de maconha que são obrigados a lutar pela vida da namorada que dividem, raptada por um perigoso cartel de drogas. O roteiro é baseado no romance do escritor Don Winslow, e o filme conta com John Travolta, Uma Thurman, Benicio Del Toro, Salma Hayek e Emile Hirsch no elenco. Confira o trailer:

Descriminalização à vista


STF autoriza participação de ONGs e institutos em processo que pode descriminalizar o consumo da maconha no Brasil. Julgamento do RE 635659 ainda não tem data marcada

Boas novas no andamento do recurso Recurso Extrordinário (RE) 635659, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O Diário da Justiça Eletrônico publicou nesta segunda-feira, 11 de junho, despacho assinado pelo ministro Gilmar Mendes deferindo os pedidos de participação de nove ONGs e institutos como amicus curiae no julgamento. A autorização possibilita que representantes das entidades realizem sustentação oral de argumentos e notificação de atos e termos processuais aos advogados. No mesmo despacho, o ministro do STF deferiu a participação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que também terá direito a sustentação oral.

Embora o julgamento ainda não tenha data marcada, a notícia dá indícios de que o processo está em andamento e deve realmente acontecer. Além do mais, é importante observar que as organizações que registraram petições pedem pelo desprovimento do recurso, se posicionando a favor da política antiproibicionista e do fim das penas privativas para usuários de drogas. Neste link, você pode acompanhar o processo e ler o despacho na íntegra.

Depois da conquista da ADPF 187, em 2011, o julgamento do RE 635659 é a maior reivindicação da Marcha da Maconha e dos demais movimentos pela legalização da erva. O recurso vai julgar a constitucionalidade do artigo 28 da atual Lei de Drogas, que define as penas aplicadas aos usuários, e pode ser um grande passo na luta por uma legislação mais humana e racional sobre drogas no Brasil.

O recurso

Em 9 de dezembro de 2010, o STF entendeu que havia repercussão geral – quando o tema de um processo representa interesse público – no RE 635659, que se apoia no inciso X do artigo 5º da Constituição Federal, que assegura os direitos à intimidade e à vida privada.

O processo questiona a decisão que condenou, pelo artigo 28, o detento Francisco Benedito da Silva, com quem foi encontrada a irrisória quantidade de 3 gramas de maconha numa cela da Cadeia de Diadema. O Recurso põe em cheque o acórdão do Colégio Recursal do Juizado Especial Cível do município, que manteve, ao detento, pena de dois meses de prestação de serviços à comunidade.

A Defensoria Pública de São Paulo, bem como a Procuradoria Geral da República, argumenta que a condenação viola os princípios da Constituição. “O porte de drogas para uso próprio não afronta a chamada ‘saúde pública’ (objeto jurídico do delito de tráfico de drogas), mas apenas, e quando muito, a saúde pessoal do próprio usuário”, pontuou a Defensoria.

“Trata-se de discussão que alcança, certamente, grande número de interessados, sendo necessária a manifestação desta Corte para a pacificação da matéria”, defendeu o ministro Gilmar Mendes, entendendo a importância de julgar o caso. Se a decisão do STF for favorável, as instâncias inferiores devem proceder da mesma forma em casos idênticos, de autuações a usuários – o que vai descriminalizar, através do Poder Judiciário, o consumo de drogas no País.

Amicus curiae

Em bom “juridiquês”, amicus curiae é quando um indivíduo, entidade ou órgão manifesta profundo interesse em uma determinada questão jurídica e se envolve como terceiro. Quando deferido, não é parte do processo, mas atua como interessado na causa, podendo apresentar argumentos a favor ou contra a questão em julgamento.

Todos querem semSemente!

O bonde da semSemente está sem freio! A correria foi tanta, que só agora retomamos a alimentação do blog. Os leitores e simpatizantes que acompanham nossa página no Facebook, puderam conferir, mais de perto, os últimos acontecimentos dessa luta para lançar a primeira publicação sobre canábis e políticas de drogas do Brasil. O caminho foi árduo, mas a marofada linha de chegada fez valer a pena!

Desde o dia 19 de maio, quando a revista foi lançada em meio às quase 10 mil pessoas que participaram da Marcha da Maconha de São Paulo (veja como foi o lançamento), a semSemente vem sendo propagada pelos quatro cantos do país. A revista foi bem recebida por ativistas e personalidades que compareceram à manifestação e bateram um papo com a nossa equipe. Não deixe de assistir à reportagem sobre a Marcha!

Até agora, a revista semSemente se encontra disponível em mais de 30 pontos de vendas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Brasília, Cotia e Maricá. Para ver os endereços e referências, acesse aqui.  Estamos a postos para chegar a Florianópolis, Recife, Manaus, Salvador, entre outras cidades, e contamos com a colaboração de todos os que têm nos apoiado para difundir a revista. Se você quer ser revendedor, ou tem alguma indicação de ponto de venda, não deixe de entrar em contato conosco. É só enviar um e-mail para revista@semsemente.com.

As vendas online da revista #1 e das assinaturas seguem a todo o vapor, e podem ser realizadas pelo link www.semsemente.com/loja. Não deixe de garantir o seu exemplar da histórica primeira edição! Enquanto isso, relaxe a mente e confira algumas fotos do lançamento da revista e da Marcha da Maconha de São Paulo! Em breve, publicamos para vocês imagens de outras marchas que acompanhamos Brasilzão afora!

Tarja Preta #7 – o ápice produtivo da revista mais cascuda do Brasil

Com o perdão do trocadilho infame, maconheiro brazuca que se preze conhece o Preza. O super-herói chapado, criado por Arnaldo Branco e inspirado no jornalista Matias Maxx, virou um símbolo da cultura canábica brasileira e estampa, desde 2004, as páginas da revista mais cascuda do Brasil – a Tarja Preta. E em sua sétima edição, lançada no fim do ano passado, adivinha quem ganhou destaque? Claro, ele mesmo! Com sua larica incessante e seus olhos vermelhos, o Capitão Presença!

Com 182 páginas, sendo 33 de histórias do Preza, a Tarja Preta #7 chegou trazendo novidades, como o papel diferenciado da capa e o maior número de páginas e histórias, mas mantendo o bom-humor esdrúxulo e impróprio que lhe é característico. Editada por Daniel Juca, Daniel Paiva e Maxx, a revista continua com a tradição de contar com a colaboração da nata dos quadrinistas marginais do Brasil – Danilo, Alan Sieber, Leonardo, Guazelli, Donida, Carranza, Fábio Lyra, Schiavon, André Dahmer, Ete, Zé Colmeia, Gnatalli, Gomez, além dos editores e de vários outros.

Merecem destaque alucinadas histórias como a clássica Baldada Adventures, de Juca e Daniel Paiva, a primorosa Capitão Presença em Bengala II, de Donida, Especiarias do Mal, de Danilo, Detetive Peçanha, de Juca, Eu quero acreditar, de Gomez, O lado preto da força, de Daniel Gnatalli, entre outras. Mas se engana quem pensa que a Tarja se limita aos quadrinhos. Outra boa nova dessa edição é a quantidade de textos.

Além do editorial, que relembra as conquistas recentes da equipe da revista (como o lançamento do documentário Malditos Cartunistas), a publicação tem duas páginas dedicadas à Marcha da Maconha e aos avanços do movimento canábico em 2011, duas páginas de resenhas culturais, e sete páginas de uma emocionante matéria em homenagem ao rapper carioca Speed Freaks, assassinado em março de 2010, após ser confundido com um policial por traficantes de Niterói. No texto, Matias Maxx reconstrói a trajetória do músico, conversando com amigos, como BNegão, e apontando características da personalidade forte de Speed.

A Tarja Preta #7 é, sem dúvida, o ápice produtivo da trupe desmemoriada que a toca para frente. Contracultura, bom humor, quadrinhos, arte e maconha. Tudo misturado numa salada psicodélica capaz de chapar qualquer cabeça aberta. Se você tem preconceito com maconheiro ou curte quadrinhos e textos bonitinhos, realmente esse não é o seu lugar. Afinal, como os editores alertam, a missão da revista é bem clara: combater a chatice e a caretice.

Tarja Preta #7
182 páginas
R$ 20
Saiba mais: tarjapretahq.blogspot.com
Para comprar:  www.cucaracha.com.br/tarjapreta

Reportagem lisérgica e cannabis na London Fashion Week

Aside

Imagine as sensações de comparecer à London Fashion Week chapado de ácido? Pois bem, a revista Vice, que tem ramificações em 25 países, fez o favor de tirar essa instigante dúvida. Em uma reportagem de rachar os bicos, a equipe da publicação em Londres enviou uma de suas repórteres, com muito LSD na cabeça, para conferir um dos maiores eventos de moda do mundo.

A bela Elektra mandou um ácido inteiro pra dentro e se infiltrou entre as pessoas “normais”, vivenciando experiências diversas, que levaram-na do riso solto às vibrações ruins. Uma garota colorida, um tombo engraçadíssimo, a sensação de desconforto na multidão, uma bad trip com Naomi Campbell e uma foto emblemática no Daily Mail foram capítulos que marcaram a aventura lisérgica. Continue reading

“Maconha ilegal passou do ridículo”, diz ator Elijah Wood

Aside

A lista de celebridades que saíram do armário com relação à maconha ganhou um reforço de peso na última semana. Em entrevista à revista High Times, o ator americano Elijah Wood explicou a ligação entre a cannabis e os bastidores de Hollywood. O Frodo, de Senhor dos Anéis, contou que a erva já é cultural na cidade e que flagrar transeuntes fumando baseados pelas ruas não causa qualquer espanto.

“Chegou num ponto onde parece ser parte natural da vida das pessoas. Com certeza não é tabu. As pessoas se sentem muito livres para falar a respeito. [A maconha]Não parece estar escondida ou jogada para debaixo do tapete”, contou o ator.

Mesmo não curtindo muito a erva, por não tolerar bem os efeitos, Elijah Wood defendeu o uso recreativo e medicinal. “Para ser sincero, não sou um grande fumador de beque – nunca me dei muito bem com ela [a maconha].  Sei de algumas pessoas que têm receita médica. Tenho amigos que fumam e têm fumado há anos. Sempre quis alcançar esse conforto e tolerância [aos efeitos], mas não tenho tolerância nenhuma. Mesmo assim, sempre fui um defensor”.

Sobre a urgência de mudanças nas leis que regulamentam a cannabis nos Estados Unidos, o ator foi assertivo. “Eu acho que a noção de que a maconha é ilegal já passou do ponto do ridículo há muito tempo. Parece meio bobo criar tensão em cima de algo que é tão natural. Estamos gastando dinheiro do contribuinte e prendendo gente por algo tão inofensivo.”