Dez mil celebram o direito dos maconheiros no Rio de Janeiro.

No ano de 2002, enquanto os norteamericanos prestavam homenagem e pesares pelas vítimas dos atentados contra o World Trade Center, ocorridos um ano atrás, naquele onze de setembro o Rio de Janeiro testemunhava cenas de terror ao vivo, enquanto detentos ligados ao comando vermelho – liderados pelo inimigo publico Fernandinho Beira Mar – fizeram uma rebelião no presidio de Bangu II, aonde executaram lideranças das suas duas facções rivais. Num telefonema grampeado Beira Mar teria dado a noticia a seus comparsas do lado de fora dizendo que “as duas torres caíram”. O episódio inspirou a cena de abertura do filme Tropa de Elite 2 e marcou um dos maiores picos de violência nos morros cariocas, até então praticamente todos dominados pelo “poder paralelo”.

Nesse mesmo ano de 2002, alguns meses antes, em Maio, o Rio de Janeiro dividiu com a Cidade do México (outro lugar muy violento) o título de serem as primeiras cidades latino-americanas a realizarem a Million Marijuana March, evento pedindo a legalização da maconha, justamente como solução para o problema da violência do narcotráfico. Hoje em dia existem várias experiências no mundo que comprovam a teoria de que a descriminalização e regulamentação do comércio e acesso às drogas têm grande impacto na redução das taxas de violência. Neste ano o Rio de Janeiro realizou sua décima Marcha da Maconha, o movimento cresceu e hoje são mais de quarenta cidades brasileiras se manifestando. Final de semana passado Belo Horizonte, Cuiabá, Teresina e Rio de Janeiro marcharam, e na capital fluminense foram dez mil manifestantes.

O número não superou o do ano anterior, mas foi igualmente impressionante. Em 2012 houve uma tentativa de inversão do trajeto, que não foi muito bem sucedida, pois a marcha seguiu pela pista da Av. Vieira Souto mais próxima aos prédios, ao invés da pista da praia, como costumava ser. A indignação de alguns moradores influentes pode ter sido uma das causas da até hoje não explicada atuação de policiais da CHOQUE que reprimiram violentamente a Marcha daquele ano. Para evitar novos tumultos, voltou-se ao trajeto original, do Posto 9 ao Arpoador, pelo lado da praia. O carro de som chegou pelas 14h, quando faixas foram estendidas no famoso “calçadão” de pedras portuguesas de Ipanema, aonde manifestantes se amontoavam fazendo o possível para respeitar a ciclovia. Faixas e cartazes pedindo o julgamento do RE da descriminalização e o repúdio ao Projeto de Lei do deputado Osmar Terra se somavam aos tradicionais “não compre plante” e “cultivador não é criminoso”.

Após uma série de discursos e improvisações de rappers a marcha saiu pontualmente às 16h20, com as marchinhas do Bloco Planta na Mente reforçadas por alguns membros desgarrados da mítica Orquestra Vegetal. Não demorou muito para a passeata, que no inicio deixava uma faixa para os carros, crescer e fechar a avenida, e o melhor de tudo, sem nenhum problema ou reclamação por parte da polícia que este ano seguia a marcha de longe, pianinhos. Duas horas de celebração dos direitos dos maconheiros depois, a marcha chegou ao Arpoador, aonde foi se dispersando entre a praia, o calçadão, a pedra e a praça aonde curiosamente uma banda gospel encerrava uma apresentação.

Que esta marcha sirva de inspiração para as dezenas que estão por vir no país até Julho, sem estresse com a polícia e batendo recordes de presença. Pressionando o congresso para não aprovar o retrógado PL 7663! Pressionando o STF para julgar o RE 635659 imediatamente! E pedindo em alto e bom som e a todos os pulmões, liberdade já para o usuário religioso, para Ras Geraldinho e todos os cultivadores presos!

Viva a Marcha da Maconha! Nossa vitória não será por acidente!

Retroceder jamais! Repúdio ao PL 7663/10


Graças a um tal deputado federal Osmar Terra e seu imbecil Projeto de Lei 7663/10, o Brasil está prestes a retroceder como nunca em sua política antidrogas. Paternalista, desumana, cruel e retrógrada, a proposta infeliz pretende internar usuários à força, além de aumentar a pena para pequenos traficantes. Sem falar que as tais “comunidades terapêuticas”, em sua maioria, são regidas por entidades religiosas, sobretudo evangélicas, o que indica a roubalheira de dinheiro que vem por aí.

Em repúdio à tal iniciativa, a revista semSemente – da qual muito me orgulho em fazer parte – acaba de lançar esse vídeo com depoimentos exclusivos gravados durante o “Congresso Internacional sobre Drogas 2013: Lei, Saúde e Sociedade”, que rolou na semana passada em Brasília (DF). Entre os entrevistados estão o ex-presidente da Colômbia, César Gaviria, o vereador Renato Cinco, o ex-secretário de justiça Pedro Abramovay, o professor Henrique Carneiro da USP, o jornalista Tarso Araújo, o professor Dartiu Xavier da UNIFESP e o norte-americano Ethan Nadelmann da Drug Policy Alliance.

Dá o play ae, compartilhe, faça barulho e vamos reagir a essa proposta descabida & fracassada!

Marcha da Maconha de Brasília abre Maio Verde com 5 mil manifestantes


O fim de semana passado foi agitado em Brasília, que abriu o Maio Verde com congresso e Marcha da Maconha. A cidade, que reuniu cerca de 700 inscritos no “Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade”, também abrigou a primeira Marcha da Maconha de 2013, arrastando cerca de cinco mil manifestantes no sábado dia 4 de Maio. Nos anos anteriores a Marcha de Brasília foi realizada em dias de semana, para aproveitar o fluxo intenso de carros oficiais e funcionários públicos no Plano Piloto, realizando um trajeto que contornava o congresso, com uma paradinha na praça dos três poderes para a realização de uma folha humana. Desta vez, como a Marcha foi realizada num dia de semana, o trajeto foi alterado, levando à massa ao sentido contrário, contornando a antena de TV e atravessando duas vezes a super lotada rodoviária, aonde a reação de populares se dividia entre aplausos e rostos chocados.

A Marcha foi escoltada por dez ônibus da PM, realizando um paredão que praticamente escondia a Marcha para quem passava de carro, mesmo assim os manifestantes não se intimidaram e seguiram até o final sem nenhum conflito, salvo relatos de que alguns policiais discretanente jogavam gás lacrimogêneo pela janela dos ônibus. Um carrinho de madeira movido a propulsão humana carregava potentes caixas de som que entoaram um repertório que foi de Bob Marley à Racionais MCs, com pausas para algumas palavras de ordem e jograis, geralmente pedindo a liberdade para Sativa Lover e outros cultivadores aprisionados, a legalização da canábis para todos seus fins e reforçando o repúdio ao retrógado Projeto de Lei do Deputado Osmar Terra.

No final, a Marcha voltou ao Museu da República aonde mais tarde rolou um show da banda Amanita, como parte da programação do “Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade”. Enquanto o show não começava o som ficou a cargo do carro de som da Marcha, colocado estratégicamente no topo da rampa que dá acesso ao museu. Não demorou muito para que dois PMs de moto subirem à rampa, acelerando sobre os manifestantes na atitude provocatória de sempre. Felizmente ninguém comprou a briga e os PMs deixaram a rampa, mas logo deu-se inicio a uma operação de revista aos manifestantes que deixavam o local. Não há relato de prisões.

A Marcha dá inicio ao Maio Verde, mês em que neste ano 42 cidades brasileiras marcham pela legalização da canábis. Confira o calendário completo no site da Marcha da Maconha.

Entrevista com Marcelo Yuka

Depois de carregar com Marcelo Freixo a esperança dos cariocas – e de todos os brasileiros – de um Rio de Janeiro realmente maravilhoso, Marcelo Yuka conversou com a semSemente sobre funk, criminalização da pobreza, maconha medicinal, especulação imobiliária, Tropa de Elite e política. Afinal, tudo isso está entrelaçado, não é verdade?

Ano passado, o baterista e compositor (que, apesar de tocar reggae, nunca foi usuário recreativo de maconha), realizou, sob orientação médica, algumas experiências esporádicas com a canábis. O “teste” confirmou os benefícios medicinais da erva no tratamento das dores crônicas que até hoje o acompanham, onze anos depois da tentativa de assalto que quase tirou sua vida. “Eu não sei dizer se a maconha tira ou não a dor, se ela foca ou desfoca a dor. Mas, para quem vive com tamanha dor, desfocar e não sentir parecem bem próximos” relata Marcelo Yuka.

Assista aqui um trecho da entrevista em que Marcelo defende o uso medicinal da canábis e lamenta sua proibição. A entrevista completa você lê na semSemente #2, adquira a sua na nossa loja online.

Entrevista com advogado de Ras Geraldinho após julgamento em Americana.


Uma caravana de cultivadores e ativistas pela legalização da maconha se somaram aos Frequentadores da I Primeira Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil, jornalistas e outros ativistas que se manifestaram hoje em frente ao fórum de Americana, interior de São Paulo. Lá foi conduzida em segredo de justiça uma sessão do Julgamento de Ras Geraldinho, fundador da primeira igreja rastafari do Brasil, encarcerado injustamente desde Agosto do ano passado sob acusação de tráfico.

Nossa enviada especial Mary Juana esteve lá e entrevistou o Dr. Alexandre khuri Miguel, advogado do Ras que também já defendeu causas ligadas ao Santo Daime. No video ele defende a liberdade do uso religioso e explica que Ras foi vitima de uma justiça preconceituosa que insiste em enquadrar cultivadores como traficantes.

Entenda mais sobre o caso do Ras Geraldinho lendo a matéria públicada na semSemente #2.

A provação de Ras Geraldinho

Em dois anos, a sede da primeira Igreja rastafári do Brasil sofreu quatro invasões da polícia e no momento seu fundador encontra-se encarcerado, mais uma arbitrariedade da preconceituosa e injusta guerra às drogas.

“A 1ª Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil é uma Igreja rastafári baseada no velho testamento e segue os fundamentos da religião ‘Coptic’ – no Brasil usa-se o termo ‘Copta’. A cultura Copta aparece no Egito 600 anos antes de Cristo e segue como língua e religião até 600 anos depois de Cristo, quando é substituída pelo árabe, que domina até hoje. Foi o mesmo que aconteceu no Brasil, que até o ano 1500 era dominado pela cultura tupi-guarani e hoje temos a língua portuguesa.
Podemos dizer que a nossa crença tem a seguinte movimentação geográfica: Começa no Egito, estendendo-se para a Etiópia com o nome de ‘Etíope Coptic’, através dos escravos vai para a Jamaica com a denominação de ‘Igreja Etíope Coptic de Sião’, depois vai para os Estados Unidos no final dos anos 1960 e hoje, através de nossa crença e obra, está no Brasil. Os coptas acreditam num único Deus, e diferentemente dos cristãos, colocam este Deus dentro de nós e não no Céu. Além dos preceitos mosaicos fundamentais, nós, desta crença, temos como base o ‘amai a todos como a um só’. Como disse o profeta Bob Marley: ‘one love, one heart’, ‘um amor, um coração’. Que a glória de Jah nos inunde, Rastafari.”

Essa breve introdução à primeira Igreja rastafári do Brasil foi escrita a punho por Geraldo Antonio Baptista, o Ras Geraldinho, 53 anos, diretor de TV, conselheiro ambiental e fundador da Igreja, que até sua prisão no dia 14 de Agosto funcionava seriamente já há dois anos, congregando cerca de trinta pessoas nos dias de reunião, que acontecem de quarta a domingo. Tal como costuma ocorrer em sessões do Santo Daime, os visitantes assinam uma ficha cadastral e um termo onde declaram que não lhes foi oferecida, dada ou vendida nenhuma substância. Então os participantes iam chegando e se acomodando na bela chácara que sedia a Igreja para o reasoning, que incluía a leitura dos cânticos de Salomão. Durante a discussão do texto que foi lido, os presentes congregavam com a Erva Sagrada. Desde que Geraldinho foi encarcerado sob infundada acusação de tráfico de drogas, esse ritmo de reuniões foi interrompido. Natural de Americana, interior de São Paulo, a perseguição a Geraldinho é antiga e tem cunho não só moral como político. Trata-se da quarta invasão das forças repressoras para, segundo o próprio, “profanar o seu templo”.

“Na primeira invasão, ocorrida em julho de 2010, o Ras não estava e a polícia disse que tinha recebido uma denúncia anônima dando conta de que havia 5kg de maconha na Igreja. Eles não encontraram a maconha, nem dinheiro, e quando perceberam que se tratava de uma Igreja, não mexeram no altar e não levaram nada, só as plantas. Na segunda invasão, em junho de 2011, mais uma vez alegando denúncia anônima, o Ras também não estava. Eles reviraram tudo, levaram o que estava no altar, computadores e o nosso livro de visitas, além das plantas, e foram muito hostis. Na terceira invasão, feita pela Guarda Municipal em dezembro de 2011, também foi alegada denúncia. O Ras estava na Igreja no momento e foi para a delegacia, mas não permaneceu detido. Nesta ocasião levaram as plantas e remexeram tudo, procurando dinheiro.” O testemunho é de Marlene, tesoureira da Igreja e companheira de Geraldinho, que conta como desta vez a história foi um pouco diferente.

Era terça-feira, a igreja estava fechada mas Geraldo estava lá recebendo uma pessoa que iria começar um serviço de troca do telhado. Dois rapazes bateram no portão e pediram para o Geraldo arrumar terra para eles, pois há lá um galinheiro que provê muito esterco para compostos orgânicos. “Não foi correto o Geraldo entregar a terra e menos ainda dar a terra já no vaso. Aconteceu que os meninos foram embora, eles são do bairro vizinho, de bicicleta, levando os dois vasos nas mãos. Quando eles estavam a mais de 1km da Igreja, foram abordados pela Guarda Municipal e eles, além do vaso, estavam com uma porção de maconha que haviam levado para fumar em frente a uma represa perto da sede da Igreja. Claro que os guardas logo viram uma oportunidade de ferrar com a gente, pela própria perseguição política que estava acontecendo, pelo fato do Geraldo pertencer a um partido político e ter se candidatado a vereador.” A candidatura foi pelo PT, em clara oposição à Prefeitura, do PSDB, mas por motivos tão óbvios quanto mal justificados sua candidatura foi cassada.

Os guardas então entraram em contato com sua sede para saber o que fazer, pois o que tinham em mãos não dava flagrante nenhum. A pessoa que atendeu o telefone na sede disse: “Leva os rapazes para a Igreja do Geraldinho”, o que foi feito. Chegando no portão, o Geraldo não conseguiu segurar os guardas, pois eles haviam chamado reforço, e foi obrigado a deixá-los entrar, então, novamente a mesma coisa, levaram computadores, plantas, procuraram dinheiro e o conduziram à delegacia. Ele foi enquadrado no artigo 33 (tráfico de drogas) e teve a liberdade provisória negada, sob alegação do juiz de que ele é “uma ameaça à sociedade” e que “se ficasse em liberdade, iria fugir”. O caso, que conta com apoio do corpo jurídico do Growroom, corre em sigilo de Justiça e aguarda o resultado do Habeas Corpus impetrado no Tribunal de Justiça de São Paulo. As perspectivas dos advogados são boas, ao contrário das condições do presídio onde o Ras se encontra. “Nas primeiras semanas ele ficou num lugar onde animais são mais bem tratados, mas agora está num menos populoso, conseguiu um espaço para dormir que não o chão e está cuidando da biblioteca. O diretor perguntou se ele está interessado em dar aulas de informática”, conta Marlene, que mantém atualizada a página da Igreja com relatos do Ras como o a seguir: “Salve todos os irmãos de fé. Jah Rastafari!
Eu e eu estamos passando por este momento de provação que deve ser compreendido e analisado com clareza: o sistema está mais violento do que nunca! Quanto mais próxima nossa vitória parece, mais brutal esta máquina de controle, que chamo de ‘real matrix’, se apresenta. Não podemos baixar guarda de maneira nenhuma! Nossa luta é legítima, mas o preço que estamos pagando é alto demais. Venho render minhas homenagens a todos os irmãos que passaram ou passarão pelos porões desta ditadura que nos oprime por lutarmos pelos nossos direitos. Afirmo isto por estar sentindo na pele e na mente. Hoje posso testificar minha condição de prisioneiro político. Infelizmente, a fé depositada por mim na democracia brasileira está extremamente abalada. Brasil, democracia laica de uma figa! Que Jah nos proteja.”

A semSemente assina embaixo, compartilha e aguarda impaciente a liberdade de Ras Geraldinho e de todos que lutam não só pelo direito ao uso religioso, mas pelo direito a plantar, fumar e falar de maconha. Mandem suas mensagens de apoio para o Ras através da página dele no Facebook: facebook.com/niubingui

Matéria publicada na semSemente #2. Adquira a sua na nossa loja online.

Começa a 25ª High Times Cannabis Cup

Polícia dá uma geral no estande da RooR na Cannabis Cup de Amsterdam.

Começou hoje o maior encontro mundial de connoisseurs canábicos, a 25ª Cannabis Cup de Amsterdam, organizada pela revista norte-americana High Times. Embora já se tenham passado alguns dias em que a cidade está mais lotada do que nunca de turistas fumetas de todo canto do mundo, só hoje começou oficialmente a Cannabis Cup, com a entrega dos passes de juiz no centro de convenções Roest. Logo na entrada o juiz recebe seu kit de brindes, que inclui um guia fartamente ilustrado com o roteiro de 25 coffeeshops que oferecem as distintas variedades de diferentes bancos de semente que concorrem na Copa. O Roest abriga a feira, onde não rola venda de maconha – apenas sementes e parafernália para consumo e cultivo. Para fumar, a parada é preparar o bolso e lançar-se numa peregrinação fumeta pelos 25 coffeeshops onde apresentando seu passe você pode comprar vários combos das variedades competidoras por um preço diferenciado. Esquema menu degustação.

Quando os portões abriram, às 13h, alguns policiais, que de início estavam na porta, entraram na feira e deram uma geral no estande do fabricante holandês de bongs RooR, para verificar se eles tinham maconha destinada à venda escondida em algum lugar. Certos de que não havia nada de errado, os vendedores da RooR continuaram servindo bongadas para o público, que no momento estava mais interessado em filmar os policiais, que foram embora depois de nada encontrar. Em 25 anos de copa canábica a primeira vez que houve problemas com a polícia foi em 2011, quando policiais revistaram vários estandes e pessoas que saíam da feira. A atitude de hoje mostra que, embora a regulamentação ao acesso de turistas aos coffeeshops holandeses tenha sido vetada em Amsterdam, a polícia está mesmo disposta a endurecer com a cena canábica, fazendo menos vista grossa.

Às 16:20h começou oficialmente o evento, com um discurso do editor-chefe da revista High Times, Steve Hager, e a apresentação da banda “Temple Dragons” ou algum outro nome hippie parecido. A breve cerimônia, que contou com a apresentação dos troféus e algumas amostras concorrentes, aconteceu no mesmo auditório anexo à feira onde durante a semana rolam várias palestras, seminários e oficinas. Durante a noite, a bagunça rola no Melkweg, próximo destino da equipe de reportagem semSemente, que vai mantendo você por dentro da Cannabis Cup aqui pelo Blog, enquanto prepara uma mega-cobertura especial para nossa quarta edição.

Até Cheech e Chong vieram ver o Planet Hemp!

Saiba como será o show de estreia da turnê Planet Hemp 2012

Chegou o grande dia! Após alguns encontros esporádicos na última década (os dois últimos aconteceram na festa de 20 anos da MTV e no VMB deste ano), a lendária banda Planet Hemp volta aos palcos novamente. Dessa vez, porém, os show fazem parte de uma grande turnê, com mais de dez shows marcados até o fim do ano e que deve se estender até 2013. Com a mesma formação do disco Ao Vivo MTV – Marcelo D2, B Negão, Formigão, Rafael Crespo e Pedrinho –, o show de hoje teve os ingressos esgotados em apenas trinta minutos, recorde de vendas da história do Circo Voador.

A mesma corrida às bilheterias se repete em outras cidades, onde os ingressos são colocados à venda geralmente a partir das 16h20. Passados os anos, fica cada vez mais clara a importância da banda no cenário musical brasileiro dos anos 1990, não só por sua influência musical e estética, mas pela postura transgressora de falar sobre maconha e defender a legalização. O Planet Hemp inaugurou no Brasil uma discussão inevitável, pagou por isso com oito dias na cadeia, mas ajudou a modernizar o discurso antiproibicionista. A banda foi citada várias vezes pelos ministros do STF no histórico julgamento da Marcha da Maconha, além de influenciar e abrir caminho para várias iniciativas pró-canábis, como a própria revista semSemente.

O show da nova turnê conta com 17 músicas, divididas em três atos entitulados: O usuário e a legalização da maconha, Os cães ladram mas a caravana não pára e A invasão do sagaz homem-fumaça. “Num dos ensaios reparamos que os últimos dois discos têm nomes que podiam ser de filmes, então resolvemos adaptar o nome do primeiro”, explica Marcelo D2. “A ideia é tocar logo todas as músicas de uma vez, sem essa de bis programado, se neguinho pedir muito a gente volta e repete alguma”.

Tudo ambientado por um mega telão de LED, pilotado pelos VJs da Apavoramento Sound System. A produtora, notória tanto pelos visuais das festas Shake your Quadra e Uh! Baile é nosso quanto pela série Sexy Shake, do canal Multishow, montou um vídeo para cada uma das músicas do sho. O objetivo, segundo o diretor John Woo, é “trazer a mensagem do Planet Hemp para os dias de hoje”. Para sua realização, a Apavoramento contou com a ajuda de vários parceiros, como este que vos escreve, que além de ceder imagens exclusivas das Marchas da Maconha do Rio de Janeiro, Brasília e de alguns jardins mágicos, assinou também o vídeo de Queimando Tudo, onde os ícones da marofa Cheech e Chong visitam o Rio de Janeiro e trombam com a galera do Planet Hemp.

Outras surpresas estão programadas para animar a plateia do Circo Voador, como o vídeo de uma aeromoça explanando as instruções de segurança para a viagem que será o show e um comentarista de alto gabarito (cuja identidade manteremos em segredo para não estragar a piada), dando a real sobre a proibição da maconha. O que você está esperando? Corra atrás do seu ingresso antes que a banda exploda numa nuvem de fumaça!

Artista plástico exibe imagens feitas com fumaça de maconha!

Em exposição individual, o artista Fernando de La Rocque apresenta imagens feitas de fumaça

O carioca Fernando de La Rocque é bacharel em escultura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, sua jornada nas artes começa por volta de 2001 e 2002, quando participou de várias exposições coletivas como o espaço off-circuito Edificio Galaxi e no evento semanal Zona Franca, que revelou vários artistas e projetos que se destacam no circuito de arte contemporânea do Rio de Janeiro até hoje. Antes disso ele editou nos anos 90 o zine “Green Power”, cujos personagens reapareceriam em forma de tirinhas na década seguinte nas páginas da revista underground Tarja Preta. Atualmente representado pelo Artur Fidalgo Galeria, Fernando passou por várias galerias importantes do Rio como a TAC e Gentil Carioca, sempre explorando temas polêmicos em seus trabalhos, como os azulejos orgásticos da série “Colônias” e no trabalho “Barata de Ouro” aonde baratas recolhidas nas ruas, eram pintadas de dourado e enviadas vivas a vários museus de arte contemporânea do mundo, aonde chegaram vivas e foram criadas pelos seus curadores até o fim de sua vida natural.

Semana que vem Fernando de La Rocque lança na La Cucaracha, a exposição “Blow Job – Trabalho de Sopro” em que exibe trabalhos aonde ele pinta vários personagens utilizando a fumaça da canábis através de uma técnica inédita criada por ele mesmo. Segundo o artista, essa idéia de pintar com fumaça paira em sua cabeça há décadas, desde que ele viu numa edição da infame revista MAD, um teste para medir a saúde do pulmão de um fumante, observando o resultado após soprar a fumaça sobre o papel. Segundo o artista “mais importante do que a liberdade de usar cannabis é a liberdade de pensar e fazer arte. Polêmicas dividem opiniões, fazem as pessoas pensarem, discutirem. A inércia não ajuda em nada quando queremos conquistar alguma coisa”. Abertamente a favor da descriminalização do consumo de maconha, de La Rocque se posiciona com seu trabalho.

BLOW JOB – TRABALHO DE SOPRO

Abertura 15 de Agosto, às 19 horas
Exposição de 16 de Agosto a 22 de Setembro de 2012

Rua Teixeira de Melo, 31 Ipanema – Rio de Janeiro, RJ
+55 21 2522 0103 – cucaracha.com.br

Realização: La Cucaracha e Artur Fidalgo Galeria

Os reaças também lêem semSemente! (Lêem mesmo?)

Como já era esperado, afinal a liberdade de expressão é direito constitucional, não demorou para a revista semSemente cair na mão e boca dos reacionários. Na terça feira a revista foi exibida e escrachada no programa “Assembléia Convida” que teve como um dos participantes um Delegado e o Coronel Edson Ferrarini, dono de clinicas de reabilitação e autor de livros sobre prevenção de drogas notórios por suas descrições fantásticas, e eventualmente instigantes, dos efeitos das drogas. Hoje, foi a vez um texto publicado aqui no blog da Revista semSemente ser citado dentro da quilométrica blogada sobre a campanha “É preciso mudar!” do Viva-Rio e CBDD assinada pelo jornalista da Veja Reinaldo Azevedo. A blogada resume-se a um espetáculo não só de preconceito e arrogância, algo esperado e que não nos cabe criticar, como também práticas condenáveis na profissão como a preguiça em apurar e a desinformação.

Através de uma simples pesquisa numa ferramenta brilhante chamada google o jornalista pode ter acesso as pesquisas “Prisão Provisória e Lei de Drogas – Um estudo sobre o flagrante de tráfico de drogas na cidade de São Paulo (2011)” realizada pelo Núcleo de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) e “Impactos da assistência jurídica a presos provisórios: um experimento na cidade do Rio de Janeiro (2011)” de Julita Lemgruber e Marcia Fernandes (CESeC – Centro de Estudos de Segurança e Cidadania). Nessas e em outras pesquisas reunidas no banco de injustiças estão os dados acerca a superlotação dos presidios por acusação de tráfico de drogas desde que entrou em vigor a lei 11.343 em 2006, além do perfil desses detentos, dados citados no site da campanha “É preciso mudar” e que o jornalista da Veja chamou de “chute, achismo, e vigarice intellectual”. Eu pessoalmente considero vigarice o jornalista usar sua posição numa dos veículos de maior visibilidade do país, para declarar que tais dados, amparados por pesquisas respeitadas, não existem.

Provavelmente o jornalista é daqueles que não suporta novela, e por isso não conheça a veterana atriz Regina Sampaio, mas se tivesse incluído a frase anterior do meu texto, todos saberiam que tratava-se de uma das atrizes que assim como Isabela Filardis estrelaram a campanha “É preciso mudar!” e compareceram ao seu evento de lançamento. Mas é claro que para sua piadinha fazer sentido o jornalista teve de editar o texto, afinal sua missão dita jornalística é propagar as principais armas dos proibicionistas – a desinformação e o medo. Vergonha de você Reinaldo Azevedo!