Artista plástico exibe imagens feitas com fumaça de maconha!

Em exposição individual, o artista Fernando de La Rocque apresenta imagens feitas de fumaça

O carioca Fernando de La Rocque é bacharel em escultura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, sua jornada nas artes começa por volta de 2001 e 2002, quando participou de várias exposições coletivas como o espaço off-circuito Edificio Galaxi e no evento semanal Zona Franca, que revelou vários artistas e projetos que se destacam no circuito de arte contemporânea do Rio de Janeiro até hoje. Antes disso ele editou nos anos 90 o zine “Green Power”, cujos personagens reapareceriam em forma de tirinhas na década seguinte nas páginas da revista underground Tarja Preta. Atualmente representado pelo Artur Fidalgo Galeria, Fernando passou por várias galerias importantes do Rio como a TAC e Gentil Carioca, sempre explorando temas polêmicos em seus trabalhos, como os azulejos orgásticos da série “Colônias” e no trabalho “Barata de Ouro” aonde baratas recolhidas nas ruas, eram pintadas de dourado e enviadas vivas a vários museus de arte contemporânea do mundo, aonde chegaram vivas e foram criadas pelos seus curadores até o fim de sua vida natural.

Semana que vem Fernando de La Rocque lança na La Cucaracha, a exposição “Blow Job – Trabalho de Sopro” em que exibe trabalhos aonde ele pinta vários personagens utilizando a fumaça da canábis através de uma técnica inédita criada por ele mesmo. Segundo o artista, essa idéia de pintar com fumaça paira em sua cabeça há décadas, desde que ele viu numa edição da infame revista MAD, um teste para medir a saúde do pulmão de um fumante, observando o resultado após soprar a fumaça sobre o papel. Segundo o artista “mais importante do que a liberdade de usar cannabis é a liberdade de pensar e fazer arte. Polêmicas dividem opiniões, fazem as pessoas pensarem, discutirem. A inércia não ajuda em nada quando queremos conquistar alguma coisa”. Abertamente a favor da descriminalização do consumo de maconha, de La Rocque se posiciona com seu trabalho.

BLOW JOB – TRABALHO DE SOPRO

Abertura 15 de Agosto, às 19 horas
Exposição de 16 de Agosto a 22 de Setembro de 2012

Rua Teixeira de Melo, 31 Ipanema – Rio de Janeiro, RJ
+55 21 2522 0103 – cucaracha.com.br

Realização: La Cucaracha e Artur Fidalgo Galeria

Oliver Stone defende descriminalização em novo filme

 

O diretor americano Oliver Stone ganhou fama internacional ao expor, sem piedade, a violência nas telas do cinema: foi assim em Assassinos por natureza e Platoon, o que lhe garantiu três Oscars ao longo de sua carreira. Agora, Stone escolheu mostrar um outro tipo de violência, a do tráfico de drogas e dos cartéis mexicanos.

Este é o tema principal de Savages, o novo filme do diretor americano que rapidamente já deu o que falar – e não apenas pela sua habilidade em lidar com a ‘sétima arte’.

Stone, com sua sinceridade muitas vezes dura, engrossou o coro pela descriminalização das drogas. “A guerra às drogas não conhece fronteiras. É uma forma de escravidão fazer com que tantos jovens acabem na prisão por tráfico. Isso é um problema internacional e não acabará a menos que se mudem as regras. Descriminalizar as drogas seria um primeiro passo”, propôs o diretor em entrevista concedida à BBC em Los Angeles, na Califórnia.

Usuário assumido de maconha desde sua incursão como soldado no Vietnã, no final dos anos 60, Stone afirma ter provado de todos os tipos da erva. “A melhor que fumei em 40 anos é produzida na Califórnia”, confessa. Foi a Califórnia, aliás, o cenário escolhido por Stone para narrar uma história de ficção de um cartel mexicano que busca expandir seus negócios. Para isso, precisa do apoio de um trio de jovens amantes de praia e vendedores de maconha “caseira”.

O confronto entre os dois modelos de negócios para a distribuição de substâncias ilícitas foi a forma que Stone escolheu para refletir sobre uma verdade que o cineasta considera inegável: a droga, e sua guerra associada, são um fenômeno que atinge ambos os lados da fronteira. “É curioso que nenhuma violência eclodiu deste lado, com exceção de incidentes isolados. Há mortos, há violência, sim. Mas é uma onda proporcional à atividade. É interesse dos cartéis mexicanos que isso se mantenha, porque uma má publicidade nos Estados Unidos lhes traria graves consequências”, explica. “Eu fui ao México e conversei com muitas pessoas, de ambos os lados da lei. Savages é uma ficção hipotética, não é Traffic, que tem um estilo mais documental”, afirma o diretor.

A batalha travada em seu recém-lançado filme, em termos conceituais, é, nas palavras de Stone, um confronto entre “o Walmart (rede de supermercados americana) contra um pequeno armazém”: a luta por território entre um cartel e um trio de jovens que não querem desistir de seu humilde, mas rentável negócio.

“Não vou fazer acusações que amanhã aparecerão na imprensa mexicana, mas duas coisas ficaram claras para mim durante a pesquisa para este filme: a primeira é que há muito dinheiro no México tentando entrar na economia legal. A segunda é que as responsabilidades do tráfico também estão do outro lado da fronteira”, afirma Stone, em alusão aos Estados Unidos.

O cineasta também não poupa críticas às políticas empreendidas pelo México: a guerra contra os cartéis “têm sido um desastre”, o que, segundo ele, dá mais força ao seu argumento a favor da descriminalização.

Em algumas cenas, Savages diz a que veio: revela um universo complexo onde “nenhuma crueldade é demais”, pois retrata fielmente os bastidores do contrabando das drogas no interior do México. Porém, em outros momentos, mais parece um panfleto sangrento sobre a legalização das drogas. Stone, entretanto, pouco se importa com as críticas e tem uma frase na ponta da língua para defender-se de mais uma controvérsia. “O mundo está vendo tudo em proporções aumentadas, da violência ao entretenimento. Este filme é meu e ninguém tem nada com isso”.

Fonte: BBC / Trailer: IMDB

 

Ensaio Cultura Cannabica por XGuiX

XGuiX é a assinatura do ilustrador e grafiteiro paulistano Guilherme Matsumoto de 25 anos. Na semana da Marcha da Maconha de São Paulo, ele publicou no site da Casa Fora do Eixo, o ensaio “Cultura Cannabica” de fotografia que ele pretende transformar numa exposição fisica dentro da SEDA (Semana do Audiovisual)

sS – Me fale um pouco de sua formação e seu trabalho…

Sou formado em Design gráfico, porém, sempre desenhei muito e também sempre tive perto do mundo da fotografia, trabalhei durante 6 anos no evento SPFW editando e tratando fotos. Em relação ao graffiti, comecei em 2007 e não parei mais, pinto bastante na rua e em paralelo a isso também estou produzindo uma série de telas. Hoje em dia trabalho como freelancer para a marca New skate onde crio algumas estampas da coleção, e também participo de outros projetos em paralelo, como a exposição sobre a cultura canabica. 

sS – Quando foram feitas e quem são as pessoas que aparecem nas fotos!? Qual o critério de seleção?

Essas fotos são registradas desde 2005/2006 quando comprei uma câmera que me dava a possibilidade de mostrar um outro olhar sobre as coisas, o meu olhar. As pessoas que aparecem nas fotos são escolhidas de acordo com aonde a vida me leva, tento levar minha câmera para todos os lugares possíveis. O critério de seleção é feito pela estética que a pessoa vai dar à foto, depois vejo se a pessoa se importa ou não com o registro que fiz.

sS – Conte-nos como surgiu a parceria com o Fora do Eixo?

A parceria com a casa Fora do eixo, começou pelo graffiti, antes de conhecer as pessoas que organizavam e ajudavam na casa, já tinha ido visitar, depois disso entrei em contato com eles para produzir algum painel dentro da casa, e em uma dessas idas, conheci o Rafael Vilela, numa conversa que tivemos comentei sobre as fotos que tinha sobre a cultura canábica e como estávamos perto da marcha da maconha, ele resolveu levar a ideia para frente, então foi lançado um dia antes da marcha uma série de fotos através do flickr da casa fora do eixo e em julho estamos pensando em fazer a exposição física na SEDA.

sS – Você esteve em outras Marchas da Maconha além da deste ano?? Como você enxerga o futuro da luta pela legalização da maconha?

Estive na do ano passado, onde registrei uma parte da marcha e muita das fotos tiradas foram feitas no ano passado. No Brasil, acho que seria muito bom legalizar, porém, acredito que o país não tem estrutura nenhuma para tratar usuários. Hoje em dia temos vários exemplos de países que conseguiram isso (a legalização ou descriminalização) e resolveram diversos problemas que o tráfico causa na sociedade. Mas espero que esse dia chegue logo, pois é ridículo sofrer preconceito e ser reprimido por usar uma substância menos maléfica que o álcool, por exemplo.

Veja o ensaio:
http://www.flickr.com/photos/foradoeixo/sets/72157629787350596/with/7222407998/

O Checklist fumeta de Danilo Lucas

O El Ninho é um grupo de grafiteiros que se conheceram há quase dez anos no curso de design na PUC-Rio, em 2004 eles montaram uma exposição no Galpão das Artes Recicladas Hélio Pellegrino, a alguns metros do estacionamento da PUC, exatamente embaixo do viaduto que passa por dentro do curioso Edificio Treme-treme. A recepção da exposição foi bacana e a exposição se repetiu no projeto Multigrab, que teve 3 edições: 2008, 2009 e 2010. Era uma expo com artistas pintando shapes de skate como suporte. Esse ano, a exposição foi batizada de “A3+” e aon invés de shapes o suporte foram posters, através de uma parceria com a gráfica Visual Collection que imprimiu os posters 60x80cm que estão a venda no (www.visualcollection.com.br). A curadoria é de Madruga e Bives e selecionou 25 artistas da cena de grafitti do rio e são uma chance para a galera apresentar um trabalho diferente do que as pessoas vem normalmente nos muros da cidade.

Um dos trabalhos, “Checklist” chamou a atenção de nossa redação. Assinado pelo designer, grafiteiro e cartunistas Danilo Lucas, o Toga One o trabalho traz mais de 50 personagenscaricaturas de personagens de Cinema, Quadrinhos e TV que compartilham ou compartilharam um mesmo hábito que a maioria dos leitores da semSemente – a Maconha! Conversamos com Danilo a respeito do trabalho. A exposição A+ rola até dia 31 de dezembro no Galpão das artes da Comlurb (Padre Leonel Franca, s/nº – Gávea) das 9h as 17h.

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“Risus Sativus” e “Self-service pajé” na ArtRio Fair

Aside

O Rio de Janeiro recebe do dia 8 a 11 de setembro a primeira ArtRio Fair, uma feira de arte contemporânea que reune mais de oitenta galerias de treze países do gênero. Dentre várias obras, a instalação “Risus Sativus” do Colombiano Carlos Castro merece destaque. Trata-se de uma espécie de caixa de música acionada por facas e punhais improvisados apreendidos pela polícia colombiana nas ruas de Bogotá – “cada faca por si só é uma escultura, com sua história própria” conta Luis Aristizabal diretor da LA Galeria, que representa Carlos Castro, conhecido pelas obras que questionam a violência em seu país. Outra obra interessante é a instalação-peformance “Self-service Pajé” do coletivo carioca Opa Vivará, aonde o visitante pode fazer um chá utilizando várias ervas com propriedades medicinais à disposição. Infelizmente, os curadores do evento só permitiram o uso de ervas autorizadas pela ANVISA, excluíndo a Canabis Sativa do cardápio da obra.

Smoke in Cultural

Aside

O Rio de Janeiro nunca foi tão tolerante e tão cultural como este ano. Mesmo com a política reacionária e o iminente choque de ordem, o povo vai para as ruas se reunir em praças e esquinas para dar um tom mais artístico e libertário, exemplo disso são as rodas culturais e o Jazz da Lapa.

Nesta última terça 26, a Roda Cultural de Botafogo completou um ano. A comemoração atraiu mais de duas mil pessoas que curtiram 12 horas de festa, com apresentações de grupos de Rap, exposições de telas, fotos, malabares e muita fumaça.  Continue reading