Livro defende que legalização da canábis poderia salvar economia norte-americana

Comunidade rural tem 80% da economia local obtida da canábis

Já há um certo tempo alguns países têm pesquisado e explorado as propriedades medicinais da canábis, mas ultrapassando os imensuráveis limites dos benefícios que a erva pode oferecer, um jornalista americano escreveu um livro abrindo o debate para as possibilidades economicas que a planta esconde.

De acordo com uma entrevista de Doug Fine à Folha de S. Paulo, autor do livro “Too High to Fail — Cannabis and the New Green Economic Revolution” (ed. Penguim/Gotham; em tradução livre, “Muito Chapado para Fracassar — Cannabis e a Nova Revolução Econômica Verde), a legalização da maconha poderia ajudar na recuperação da economia dos EUA, que emerge depois da crise que estourou no país em 2008. Um dos especialistas entrevistados no livro, professor de economia de Harvard, afirma que um hipotético comércio legal de ganja poderia ter rendido US$6,2 bilhões em impostos em 2011, tendo em conta números obtidos sob proibição. Caso legalizada, a estimativa é que esse número chegaria a US$47 bilhões. É válido salientar que a planta não é só cultivada para consumo, mas também como matéria prima de roupas e outros produtos.

Para provar a veracidade de sua teoria que apresenta esses números tão animadores (ou assustadores, tendo em conta que está todo nas mãos do tráfico), o jornalista passou um ano em Mendoncino, uma comunidade rural ao norte da Califórnia que tem um programa de licença inédito oferecido pelas autoridades locais, onde se pode registrar até 99 plantas pagando um certo valor por cada. Lá, a canábis é responsável por 80% da economia local, o que contabiliza US$8 bilhões ao ano. O autor afirma que o negócio já tem sido levado por três gerações e que a comunidade “não carrega o estigma de puritanismo da guerra às drogas que outros lugares têm”.

Para Fine, a guerra às drogas está ganha, mas quem levou essa batalha foram os antiproibicionistas. Segundo ele, “a popularidade é crescente nas pesquisas, 56% dos americanos querem a regulamentação da cannabis”.

Aqui no Brasil, a pesquisa realizada pelo site do Senado Federal indica que, no exato momento que escrevo esta nota, 83,4% da população é a favor do projeto de lei que permite a produção e o porte de drogas para consumo próprio. A votação ainda está aberta. Vai lá dar uma força!

 

Leia entrevista completa no site da Folha

 

Oliver Stone defende descriminalização em novo filme

 

O diretor americano Oliver Stone ganhou fama internacional ao expor, sem piedade, a violência nas telas do cinema: foi assim em Assassinos por natureza e Platoon, o que lhe garantiu três Oscars ao longo de sua carreira. Agora, Stone escolheu mostrar um outro tipo de violência, a do tráfico de drogas e dos cartéis mexicanos.

Este é o tema principal de Savages, o novo filme do diretor americano que rapidamente já deu o que falar – e não apenas pela sua habilidade em lidar com a ‘sétima arte’.

Stone, com sua sinceridade muitas vezes dura, engrossou o coro pela descriminalização das drogas. “A guerra às drogas não conhece fronteiras. É uma forma de escravidão fazer com que tantos jovens acabem na prisão por tráfico. Isso é um problema internacional e não acabará a menos que se mudem as regras. Descriminalizar as drogas seria um primeiro passo”, propôs o diretor em entrevista concedida à BBC em Los Angeles, na Califórnia.

Usuário assumido de maconha desde sua incursão como soldado no Vietnã, no final dos anos 60, Stone afirma ter provado de todos os tipos da erva. “A melhor que fumei em 40 anos é produzida na Califórnia”, confessa. Foi a Califórnia, aliás, o cenário escolhido por Stone para narrar uma história de ficção de um cartel mexicano que busca expandir seus negócios. Para isso, precisa do apoio de um trio de jovens amantes de praia e vendedores de maconha “caseira”.

O confronto entre os dois modelos de negócios para a distribuição de substâncias ilícitas foi a forma que Stone escolheu para refletir sobre uma verdade que o cineasta considera inegável: a droga, e sua guerra associada, são um fenômeno que atinge ambos os lados da fronteira. “É curioso que nenhuma violência eclodiu deste lado, com exceção de incidentes isolados. Há mortos, há violência, sim. Mas é uma onda proporcional à atividade. É interesse dos cartéis mexicanos que isso se mantenha, porque uma má publicidade nos Estados Unidos lhes traria graves consequências”, explica. “Eu fui ao México e conversei com muitas pessoas, de ambos os lados da lei. Savages é uma ficção hipotética, não é Traffic, que tem um estilo mais documental”, afirma o diretor.

A batalha travada em seu recém-lançado filme, em termos conceituais, é, nas palavras de Stone, um confronto entre “o Walmart (rede de supermercados americana) contra um pequeno armazém”: a luta por território entre um cartel e um trio de jovens que não querem desistir de seu humilde, mas rentável negócio.

“Não vou fazer acusações que amanhã aparecerão na imprensa mexicana, mas duas coisas ficaram claras para mim durante a pesquisa para este filme: a primeira é que há muito dinheiro no México tentando entrar na economia legal. A segunda é que as responsabilidades do tráfico também estão do outro lado da fronteira”, afirma Stone, em alusão aos Estados Unidos.

O cineasta também não poupa críticas às políticas empreendidas pelo México: a guerra contra os cartéis “têm sido um desastre”, o que, segundo ele, dá mais força ao seu argumento a favor da descriminalização.

Em algumas cenas, Savages diz a que veio: revela um universo complexo onde “nenhuma crueldade é demais”, pois retrata fielmente os bastidores do contrabando das drogas no interior do México. Porém, em outros momentos, mais parece um panfleto sangrento sobre a legalização das drogas. Stone, entretanto, pouco se importa com as críticas e tem uma frase na ponta da língua para defender-se de mais uma controvérsia. “O mundo está vendo tudo em proporções aumentadas, da violência ao entretenimento. Este filme é meu e ninguém tem nada com isso”.

Fonte: BBC / Trailer: IMDB

 

Os Yankees querem a maconha legal

Depois da Prop 19, que discutiu o tema da regulamentação da canábis na califórnia, este ano será a vez de Washington e Colorado colocarem leis similares em plebiscito

Embora tenha enchido de esperança os defensores da legalização da maconha ao afirmar que havia fumado quando jovem, a administração de Obama tem sido decepcionante neste sentido até agora. Além de não promover mudança significativa, as recentes ações do Drugs Enforcement Agency (DEA) que fecharam dispensários de canábis medicinal e até uma faculdade especializada, a Oaksterdam University causaram revolta na comunidade americana de usuários.

Mas, a medida em que as eleições se aproximam, a legalização da cannabis começa a se tornar um tema onipresente nos debates e entrevistas, e talvez seja decisiva na corrida à Casa Branca. O candidato republicano Mitt Romney se mostra como um bastião dos “bons costumes e da moralidade”, se opondo a todas as questões polêmicas como o casamento de pessoas do mesmo sexo e a legalização da maconha. Já Obama se mostrou favorável ao primeiro, quanto ao segundo ponto, continua relutante.

Por pouco tempo, assim esperam os moradores do Colorado e de Washington. A pressão para que ele se posicione sobre este tema ganhou reforços com os dois plebiscitos a serem realizados em novembro, junto com a votação presidencial. Os cidadãos de Washington se posicionarão pela primeira vez sobre a regulamentação da canábis. Já os moradores do Colorado, que já rejeitaram (por pouco) uma proposta semelhante em 2006, terão a oportunidade de se redimir.

Neste estado, onde o uso medicinal já é autorizado, estão depositadas as maiores esperanças daqueles que almejam uma nova política de drogas. Pesquisas recentes mostram que 61% dos moradores do Colorado são favoráveis à regulamentação do cultivo, produção e comércio de canábis para uso recreativo. Se aprovada, a lei permitirá a posse de até 30 gramas de maconha por usuário, e se tornará a legislação mais flexível para maconha nos EUA.

Na capital, Denver, os dispensário de cannabis medicinal já superam em número todos os Starbucks do estado. Mesmo em Colorado Springs, cidade conhecida por abrigar a Base da Força Aérea Americana, muitas igrejas e principalmente, uma das populações mais conservadora do país, o número de dispensários supera o de instituições religiosas, segundo registros municipais. Assim, um em cada 41 habitantes da capital são usuários medicinais registrados.

Para o proponente da campanha pela aprovação da Alteração 64, como é chamada a mudança legal,  depois de 2006 a “grande maioria dos habitantes parecem estar prontos para acabar com a proibição da maconha e substituí-la por um sistema mais responsável. Nosso sistema atual de proibição é o pior possível quando se trata de manter a maconha longe de adolescentes, pois leva a maconha para o mercado negro onde não é necessário provar idade e onde o contato com outras substâncias mais danosas pode ocorrer”. Pondera também que não se pode continuar tratando adultos como criminosos por uma simples escolha de lazer, por optar por uma substância comprovadamente menos danosa que o álcool.

Mas a aprovação à medida não vem só dos cidadão. Nas prévias dos dois partidos no estado, tanto republicanos (à despeito das posições de Romney) quanto os democratas se colocaram a favor da nova legislação, este último incluindo-a na plataforma do partido. Isso se explica pelo fato de o Colorado ser uma espécie de mistura entre um liberalismo descontraído e um conservadorismo anti regulação, o que faz com que as pessoas tendam a enxergar as ações do governo, como a lei federal sobre a canábis, como ingerência do Estado, ou seja, para muitos, o governo federal está metendo o nariz onde não foi chamado. Não à toa, foi no Colorado que surgiu o Partido Libertário.

No âmbito nacional, pesquisa do Instituto Rasmussen cravou 56% de aprovação para a proposta de regulamentação da canábis a nível federal.  A maioria acredita na proposta enquanto fonte de renda para municípios e estados falidos na esteira da crise global de 2008. Também consideram a regulamentação uma forma de enfraquecer os cartéis de drogas mexicanos, ávidos por explorar o maior mercado consumidor de drogas ilícitas do mundo, logo em seu vizinho ao norte. Esta percepção coloca mais pressão em cima de Obama, já que os impostos da canábis poderiam ajudar os governos, cidades e vilas enfrentam orçamentos cada vez mais apertados. Para o estrategista político Rick Ridder, a regulamentação da maconha geraria uma receita entre US $ 20 mi e US $ 80 mi anualmente só para o estado do Colorado, ante uma arrecadação de US $ 5 mi em 2001, só com a canábis medicinal. Além disso, a alteração legal proposta neste estado prevê que os primeiros US $ 40 milhões em receitas fiscais sejam utilizados para a reconstrução e ampliação de escolas públicas, o que poderá ser significativo na melhoria da educação, aumentando em muito as verbas atuais para o setor.

Outra apoiadora da proposta provoca Obama. Diz ela que se o presidente fumou mesmo no colégio e faculdade, a sorte foi não ter sido preso por isso. Caso contrário, nunca chegaria a presidente. E, como os candidatos – que estão a toda hora nas emissoras de tevê – a campanha pela regulamentação da maconha também investiu nesta mídia. Com mais dinheiro, gerado pelo mercado de cannabis medicinal e outros produtos, a campanha pode se estruturar melhor que em 2006. Até o Dr. David Bronner, conhecido pela marca de sabonetes naturais mais famosa dos EUA, doou US $ 50.000 para a campanha.

No vídeo institucional, aparece uma jovem escrevendo uma carta a sua mãe. Ela diz: “Eu costumava beber muito. Mas agora que estou mais velha, eu prefiro usar maconha. É menos prejudicial para o meu corpo, não me dá ressaca e honestamente me sinto mais segura em torno de usuários de maconha.” E arremata “espero que faça sentido pra você, mas se não fizer, conversemos sobre isso.”

Confira abaixo o vídeo da campanha pela alteração 64 do Colorado.

Compartilhem este vídeo, promovam este debate. E cruzem os dedos para novembro, pois o sucesso da proposta de Washington e Colorado forçara o Governo Federal dos EUA a se reposicionar sobre a maconha. E uma alteração legal lá com certeza terá reflexos por aqui. Afinal, não é de hoje que seguimos os passos do grande irmão do norte quando se trata de política de drogas. Até agora só colhemos sofrimento e violência, pois optamos pela repressão. Mas novas flores estão brotando em solo Yankee, e esperamos que em breve aqui também. A semSemente brasileiríssima está a postos, e acompanhará todo o processo.

O preço da maconha nos EUA

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Facilmente reconhecida pela lombada quadriculada e as cores berrantes da capa, a Wired Magazine é uma revista publicada desde 1993 nos Estados Unidos. Sempre focando nas transformações tecnológicas e seu reflexo na sociedade e economia a revista já publicou inúmeras pautas sobre maconha, indo desde estudos sobre seus efeitos no cérebro até o lançamento dos mais curiosos apetrechos para fumar ou “se vale a pena perguntar sobre a legalização da maconha nos chats on-line do presidente Obama”.

Na edição que chega as bancas em Setembro de 2011, a Wired Magazine publica um mapa infográfico que mostra o preço médio da onça (aproximadamente 29,57g) da erva por todo território norte-americano e também as penas máximas para multa ou prisão em cada estado. O resultado é simplesmente sintetizado na abertura da página “Enquanto 14 estados consideram a maconha remédio, outros continuam impondo sentenças pesadas – incluindo prisão – para o simples uso. O resultado é um mercado fragmentado com preços que variam selvagemente em cada região.”

O mapa é baseado (opa!) num estudo chamado Data Shadows of an Underground Economy: Volunteered Geographic Information and the Economic Geographies of Marijuana (Sombras de dados de uma economia subterrânea: Informação geográfica e a economia geográfica da maconha) realizado pela organização de cyber-cartográfos “Floating Sheep”. Os dados foram recolhidos através de mais de 17mil relatórios inscritos por usuários anônimos no site www.PriceOfWeed.com. Você também pode colaborar com o estudo, informando o preço da erva na sua região, o artigo completo, ainda carente de revisão acadêmica, pode ser baixado no blog da Floating Sheep.

“Maconha ilegal passou do ridículo”, diz ator Elijah Wood

Aside

A lista de celebridades que saíram do armário com relação à maconha ganhou um reforço de peso na última semana. Em entrevista à revista High Times, o ator americano Elijah Wood explicou a ligação entre a cannabis e os bastidores de Hollywood. O Frodo, de Senhor dos Anéis, contou que a erva já é cultural na cidade e que flagrar transeuntes fumando baseados pelas ruas não causa qualquer espanto.

“Chegou num ponto onde parece ser parte natural da vida das pessoas. Com certeza não é tabu. As pessoas se sentem muito livres para falar a respeito. [A maconha]Não parece estar escondida ou jogada para debaixo do tapete”, contou o ator.

Mesmo não curtindo muito a erva, por não tolerar bem os efeitos, Elijah Wood defendeu o uso recreativo e medicinal. “Para ser sincero, não sou um grande fumador de beque – nunca me dei muito bem com ela [a maconha].  Sei de algumas pessoas que têm receita médica. Tenho amigos que fumam e têm fumado há anos. Sempre quis alcançar esse conforto e tolerância [aos efeitos], mas não tenho tolerância nenhuma. Mesmo assim, sempre fui um defensor”.

Sobre a urgência de mudanças nas leis que regulamentam a cannabis nos Estados Unidos, o ator foi assertivo. “Eu acho que a noção de que a maconha é ilegal já passou do ponto do ridículo há muito tempo. Parece meio bobo criar tensão em cima de algo que é tão natural. Estamos gastando dinheiro do contribuinte e prendendo gente por algo tão inofensivo.”

Enquanto isso, nos EUA… população defende a legalização

Aside

Uma pesquisa realizada pelo instituto Angus Reid Public Opinion constatou que a maioria dos americanos continuam acreditando que a maconha deveria ser legalizada, apesar de não apoiarem a regulamentação comercial das outras drogas. A enquete ouviu 1.003 americanos adultos, em diversos estados do país. Desse montante, 55% dos entrevistados apoiam a legalização, enquanto 40% se opõem à ideia.

O grupo das pessoas a favor é formado por democratas (63%), autônomos (61%) e homens (57%), com idade entre 35 e 54 anos (57%). A despeito das outras drogas, apenas 10% dos americanos apoiam a legalização do ecstasy e porcentagens ainda menores foram coletadas quando o assunto são substâncias pesadas, como cocaína (9%), heroína (8%), metanfetamina (7%) e crack (7%).

Outros dados da pesquisa dão conta de que apenas 64% do dos americanos acreditam que o país tem sérios problemas de abusos de droga por todo sua extensão, contra 20% que observam que os problemas são específicos a determinadas áreas e pessoas. O levantamento conclui, ainda, que um entre 20 americanos, o que corresponde a 5%, acha que não tem sérios problemas com as drogas.

A pesquisa mostra claramente que ainda existe muita confusão quando o assunto é a legalização das drogas. No entanto, aponta para um quadro mais esperançoso, principalmente no tocante à questão da cannabis. Aparentemente, a regulamentação da cannabis medicinal em estados como Califórnia, Colorado, Novo México e Nova Jersey, causaram um impacto positivo na opinião pública, que não vê mais a maconha no mesmo bojo das outras drogas.

E o mais interessante. Apesar de todos os desencontros, a maior porcentagem colhida pela pesquisa foi na pergunta sobre a “guerra às drogas”: 67% acreditam que a política falhou nos EUA, contra apenas apenas 9% que pensam que as estratégias obtiveram sucesso.

Realmente, a ineficácia da política proibicionista e os estragos causados por ela já começam a saltar aos olhos – vermelhos ou não – da maioria.

“Free The Weed” potcast de Danny Danko

Aside

Danny Danko faz parte da redação da High Times desde 2001 como fotografo, repórter e editor de cultivo da revista. Ele já foi juiz de várias Cannabis Cup em Amsterdã e também da Medical Cannabis Cup da Califórnia e do Colorado. A partir de hoje Danny Danko também apresenta o Pot-Cast “Free The Weed”, um programa que carrega a bandeira do autocultivo como ato político. Interessante para ficar antenado do que anda rolando na terra do Obama, neste primeiro programa noticias sobre o plebiscito pela legalização da maconha no Colorado, disparidades raciais nas prisões por drogas em NY e um bloco muito interessante sobre “propagação”. Nesse bloco Danny Danko dá as dicas básicas para começar seu cultivo autosustentável, desde a escolha das genéticas, lâmpadas, meio e espaço. Entre várias dicas e informações, “Free The Weed” promete ser um ótimo potcast para aprender dicas de cultivo e novidades sobre genéticas e o movimento pela legalização da maconha nos EUA.

Escute o potcast “Free the weed” no site da High Times