Dez mil celebram o direito dos maconheiros no Rio de Janeiro.

No ano de 2002, enquanto os norteamericanos prestavam homenagem e pesares pelas vítimas dos atentados contra o World Trade Center, ocorridos um ano atrás, naquele onze de setembro o Rio de Janeiro testemunhava cenas de terror ao vivo, enquanto detentos ligados ao comando vermelho – liderados pelo inimigo publico Fernandinho Beira Mar – fizeram uma rebelião no presidio de Bangu II, aonde executaram lideranças das suas duas facções rivais. Num telefonema grampeado Beira Mar teria dado a noticia a seus comparsas do lado de fora dizendo que “as duas torres caíram”. O episódio inspirou a cena de abertura do filme Tropa de Elite 2 e marcou um dos maiores picos de violência nos morros cariocas, até então praticamente todos dominados pelo “poder paralelo”.

Nesse mesmo ano de 2002, alguns meses antes, em Maio, o Rio de Janeiro dividiu com a Cidade do México (outro lugar muy violento) o título de serem as primeiras cidades latino-americanas a realizarem a Million Marijuana March, evento pedindo a legalização da maconha, justamente como solução para o problema da violência do narcotráfico. Hoje em dia existem várias experiências no mundo que comprovam a teoria de que a descriminalização e regulamentação do comércio e acesso às drogas têm grande impacto na redução das taxas de violência. Neste ano o Rio de Janeiro realizou sua décima Marcha da Maconha, o movimento cresceu e hoje são mais de quarenta cidades brasileiras se manifestando. Final de semana passado Belo Horizonte, Cuiabá, Teresina e Rio de Janeiro marcharam, e na capital fluminense foram dez mil manifestantes.

O número não superou o do ano anterior, mas foi igualmente impressionante. Em 2012 houve uma tentativa de inversão do trajeto, que não foi muito bem sucedida, pois a marcha seguiu pela pista da Av. Vieira Souto mais próxima aos prédios, ao invés da pista da praia, como costumava ser. A indignação de alguns moradores influentes pode ter sido uma das causas da até hoje não explicada atuação de policiais da CHOQUE que reprimiram violentamente a Marcha daquele ano. Para evitar novos tumultos, voltou-se ao trajeto original, do Posto 9 ao Arpoador, pelo lado da praia. O carro de som chegou pelas 14h, quando faixas foram estendidas no famoso “calçadão” de pedras portuguesas de Ipanema, aonde manifestantes se amontoavam fazendo o possível para respeitar a ciclovia. Faixas e cartazes pedindo o julgamento do RE da descriminalização e o repúdio ao Projeto de Lei do deputado Osmar Terra se somavam aos tradicionais “não compre plante” e “cultivador não é criminoso”.

Após uma série de discursos e improvisações de rappers a marcha saiu pontualmente às 16h20, com as marchinhas do Bloco Planta na Mente reforçadas por alguns membros desgarrados da mítica Orquestra Vegetal. Não demorou muito para a passeata, que no inicio deixava uma faixa para os carros, crescer e fechar a avenida, e o melhor de tudo, sem nenhum problema ou reclamação por parte da polícia que este ano seguia a marcha de longe, pianinhos. Duas horas de celebração dos direitos dos maconheiros depois, a marcha chegou ao Arpoador, aonde foi se dispersando entre a praia, o calçadão, a pedra e a praça aonde curiosamente uma banda gospel encerrava uma apresentação.

Que esta marcha sirva de inspiração para as dezenas que estão por vir no país até Julho, sem estresse com a polícia e batendo recordes de presença. Pressionando o congresso para não aprovar o retrógado PL 7663! Pressionando o STF para julgar o RE 635659 imediatamente! E pedindo em alto e bom som e a todos os pulmões, liberdade já para o usuário religioso, para Ras Geraldinho e todos os cultivadores presos!

Viva a Marcha da Maconha! Nossa vitória não será por acidente!

Spannabis encerra com recorde de visitantes

 

O sábado foi movimentado na Spannabis 2013. Entre um folheto e outro, era possível provar (com muita fila) uma bongada de hashís ou uma calada de vaporizador, oferecidas por alguns expositores. No stand da editora Mama’s Edictions encontramos Jorge Cervantes, um senhor muito simpático, que sorria, batia um papo com a galera, dava uma fumadinha e promovia seu livro Culture en Intérieur. Pedimos para que ele deixasse uma mensagem para os growers brasileños:

No fim do domingo, a organização da Spannabis contabilizou quase trinta mil visitantes. Apesar do público variado, a feira direciona-se a quem busca itens para o cultivo indoor, com muitos stands de empresas que, inclusive, não estão diretamente ligadas ao setor do cãnhamo, como as de ventilação e de iluminação. O evento terminou com a premiação dos melhores de 2013. Veja os vencedores:

Melhor produto de parafernalia: SILIKA SPAIN
Melhor stand: EVA SEEDS
Melhor produto de cultivo: TOP GROWER FERTILIZERS
Melhor banco de semente: RIPPER SEEDS
Melhor novidade: SILIKA SPAIN

Spannabis: a maior feira canábica do mundo

San Canuto deve estar de olho em Barcelona neste fim de semana. Ou melhor, na vizinha Cornellà de Llobregat, onde começou nesta sexta-feira, 15, a Spannabis – Feira do Cânhamo e das Tecnologias Alternativas. Comemorando sua décima edição em 2013, a feira teve que montar um ‘puxadinho’ de 1.200 metros quadrados para abrigar os 200 expositores convidados (50 a mais que o ano passado).De quebra, angariou o título de maior feira canábica do mundo, com um espaço de 12 mil metros quadrados e público esperado de 24 mil pessoas.

Além das novidades tecnológicas, acessórios lúdicos e produtos derivados da erva, a Spannabis também conta com conferências e debates sobre assuntos como cultivo caseiro, associações de usuários, descobertas medicinais e legislação. O destaque da sexta-feira foi para Bernat Pellisa, prefeito da cidade de Rasqueira, que participou de um debate sobre a locação de terrenos públicos para o cultivo de maconha e o fornecimento da erva para associações de fumadores. O convidado Massimiliano Salami, grower das Ilhas Canárias, também chamou atenção ao explicar seu trabalho de canabicultura ecológica.

A programação de sábado deve lotar o evento, já que o mar de visitantes aguarda ansiosamente o mago do cultivo Jorge Cervantes e o ilustre Mr. Nice. No domingo, a maconha medicinal em Israel será pauta de palestra ministrada por um representante da empresa Tikkun Olan. O último dia também marca a aguardada premiação de genéticas e produtos canábicos, além de muitas outras novidades.

Acompanhe a cobertura da Spannabis 2013 aqui no blog e na semSemente #3!

Ensaio Cultura Cannabica por XGuiX

XGuiX é a assinatura do ilustrador e grafiteiro paulistano Guilherme Matsumoto de 25 anos. Na semana da Marcha da Maconha de São Paulo, ele publicou no site da Casa Fora do Eixo, o ensaio “Cultura Cannabica” de fotografia que ele pretende transformar numa exposição fisica dentro da SEDA (Semana do Audiovisual)

sS – Me fale um pouco de sua formação e seu trabalho…

Sou formado em Design gráfico, porém, sempre desenhei muito e também sempre tive perto do mundo da fotografia, trabalhei durante 6 anos no evento SPFW editando e tratando fotos. Em relação ao graffiti, comecei em 2007 e não parei mais, pinto bastante na rua e em paralelo a isso também estou produzindo uma série de telas. Hoje em dia trabalho como freelancer para a marca New skate onde crio algumas estampas da coleção, e também participo de outros projetos em paralelo, como a exposição sobre a cultura canabica. 

sS – Quando foram feitas e quem são as pessoas que aparecem nas fotos!? Qual o critério de seleção?

Essas fotos são registradas desde 2005/2006 quando comprei uma câmera que me dava a possibilidade de mostrar um outro olhar sobre as coisas, o meu olhar. As pessoas que aparecem nas fotos são escolhidas de acordo com aonde a vida me leva, tento levar minha câmera para todos os lugares possíveis. O critério de seleção é feito pela estética que a pessoa vai dar à foto, depois vejo se a pessoa se importa ou não com o registro que fiz.

sS – Conte-nos como surgiu a parceria com o Fora do Eixo?

A parceria com a casa Fora do eixo, começou pelo graffiti, antes de conhecer as pessoas que organizavam e ajudavam na casa, já tinha ido visitar, depois disso entrei em contato com eles para produzir algum painel dentro da casa, e em uma dessas idas, conheci o Rafael Vilela, numa conversa que tivemos comentei sobre as fotos que tinha sobre a cultura canábica e como estávamos perto da marcha da maconha, ele resolveu levar a ideia para frente, então foi lançado um dia antes da marcha uma série de fotos através do flickr da casa fora do eixo e em julho estamos pensando em fazer a exposição física na SEDA.

sS – Você esteve em outras Marchas da Maconha além da deste ano?? Como você enxerga o futuro da luta pela legalização da maconha?

Estive na do ano passado, onde registrei uma parte da marcha e muita das fotos tiradas foram feitas no ano passado. No Brasil, acho que seria muito bom legalizar, porém, acredito que o país não tem estrutura nenhuma para tratar usuários. Hoje em dia temos vários exemplos de países que conseguiram isso (a legalização ou descriminalização) e resolveram diversos problemas que o tráfico causa na sociedade. Mas espero que esse dia chegue logo, pois é ridículo sofrer preconceito e ser reprimido por usar uma substância menos maléfica que o álcool, por exemplo.

Veja o ensaio:
http://www.flickr.com/photos/foradoeixo/sets/72157629787350596/with/7222407998/

Tremendo apoio à semSemente

Em viagem de negócios, o avogado Ricardo Nemer, diretor jurídico da semSemente e um dos consultores jurídicos do Growroom, trombou com o mítico tremendão Erasmo Carlos. O galante músico recebeu com entusiasmo a revista e ainda autografou um exemplar para nosso museu.

Em 1971, Erasmo Carlos lançou, no álbum Carlos, Erasmo, a canção Maria Joana em parceria com Roberto Carlos. Esse disco marca uma nova fase do músico, fundindo vários ritmos brasileiros e clássicos com o rock’n'roll. Com Maria Joana não é diferente – a canção, que também aparece num rarissímo single junto de 26 Anos de Vida Normal, encerra o álbum com uma base contagiante, muito à frente do que era produzido no Brasil nessa época. Duas décadas depois, a banda Planet Hemp sampleou a música numa das faixas de seu álbum de estreia, Usuário, mas o sampler não foi autorizado e teve que ser removido da versão final da música.

Ouça a música acompanhando a letra e tire suas próprias conclusões!

Maria Joana (Erasmo Carlos e Roberto Carlos)

Só ela me trás beleza
nesse mundo de incerteza
Quero fugir mas não posso
Esse mundo inteirinho é só nosso

Eu quero Maria Joana
Eu quero maria Joana
Eu vejo a imagem da Lua
Refletida na poça da rua
E penso da minha janela
eu estou bem mais alto que ela

Eu quero Maria Joana
Eu quero maria Joana
Eu sei (eu sei)
Que na vida tudo passa
O amor (o amor)
Vem como nuvem de fumaça (fumaça)

Eu quero Maria Joana
Eu quero Maria Joana
Eu quero Maria Joana
Eu quero Maria Joana

Eu sei (eu sei)
Que na vida tudo passa
O amor (o amor)
Vem como nuvem de fumaça (fumaça)

Primeiras fotos do leitor semSemente

Aside

Em apenas quatro dias o primeiro concurso semSemente de fotos do leitor já recebeu várias inscrições, algumas até com o cultivador mostrando a cara! Queremos lembrar no entanto, que para ser publicada na revista, a foto deve conter o nome “semSemente”.

O nome da revista da cultura canábica registrado de alguma maneira na foto é a única maneira que temos de saber que a foto foi produzida exclusivamente para o concurso. As melhores fotos serão publicadas na primeira edição da semSemente, e os vencedores receberão a revista em casa junto de brindes dos nossos anunciantes.

Para concorrer basta enviar a foto em alta resolução (300dpi) para revista@semsemente.com Valem fotos de plantas e cultivos ou outras fotos criativas com maconha, mostrando a cara ou não.

Primeiro concurso semSemente de fotos do leitor

Aside

Em breve a primeira edição da semSemente chega as bancas e lojas especializadas do país celebrando a cultura canábica e lutando pela legalização da maconha. Você tem a chance de ser parte dessa história participando do nosso primeiro concurso de fotos do leitor. Para participar basta enviar uma foto com o tema “Bem-vinda semSemente” para revista@semsemente.com

Valem fotos de cultivos, camarões, baseados e até mesmo duendes de durepox desde que apareça alguma mensagem de boas vindas para a revista. Os cultivos mais impressionantes e as fotos mais criativas serão publicadas na primeira edição da semSemente e os fotógrafos receberão a revista em casa junto de alguns brindes dos nossos patrocinadores.

Galeria de fotos da festa da Marcha da Maconha no coqueirão!

Aside

No domingo 3 de Julho de 2011, foi convocada no Rio de Janeiro uma festa da Marcha da Maconha para comemorar a decisão do STF. A atrapalhada estréia da seleção de Neymar num dos fins de semana mais frios do ano, deixou a orla e por consequência a festa vazia. Perdeu quem não compareceu, o evento foi pouco policiado, os poucos PMs presentes foram simpáticos ao movimento e só pediram que não desrespeitassem o trabalho da polícia. Os cerca de 300 manifestantes presentes se agruparam ao som do Planta na Mente e no final da tarde rumaram para a praia, aonde aconteceu um tremendo smoke-in.

Enfim! Marcha da Maconha autorizada em São Paulo!

Aside

Em 2003, um grupo razoável de manifestantes pró legalização da maconha marcharam pela Av. Paulista até o Parque Ibirapuera na I Passeata Verde, o clima foi descontraído e apenas dois manifestantes foram presos em flagrante por estarem fumando. No ano seguinte, o mesmo evento, foi brutalmente reprimido pela PM e a Rocam (conhecida como “a Rota de moto”) conseguindo avançar poucos quarteirões, como é praxe na cidade, os policiais removeram suas identificações para poder agir impunemente. Os poucos que sobraram se reagruparam no vão do MASP numa manifestação aonde Maconha era um assunto proibido. A única emissora a reportar a brutalidade policial que deixou ao menos vinte presos e inúmeros feridos foi a MTV, fora eles, apenas o CMI e alguns blogs e foruns. O massacre foi silenciado e o episódio caiu no esquecimento da mídia e o grande público… Mas não dos militantes que estavam lá!

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