Os reaças também lêem semSemente! (Lêem mesmo?)

Como já era esperado, afinal a liberdade de expressão é direito constitucional, não demorou para a revista semSemente cair na mão e boca dos reacionários. Na terça feira a revista foi exibida e escrachada no programa “Assembléia Convida” que teve como um dos participantes um Delegado e o Coronel Edson Ferrarini, dono de clinicas de reabilitação e autor de livros sobre prevenção de drogas notórios por suas descrições fantásticas, e eventualmente instigantes, dos efeitos das drogas. Hoje, foi a vez um texto publicado aqui no blog da Revista semSemente ser citado dentro da quilométrica blogada sobre a campanha “É preciso mudar!” do Viva-Rio e CBDD assinada pelo jornalista da Veja Reinaldo Azevedo. A blogada resume-se a um espetáculo não só de preconceito e arrogância, algo esperado e que não nos cabe criticar, como também práticas condenáveis na profissão como a preguiça em apurar e a desinformação.

Através de uma simples pesquisa numa ferramenta brilhante chamada google o jornalista pode ter acesso as pesquisas “Prisão Provisória e Lei de Drogas – Um estudo sobre o flagrante de tráfico de drogas na cidade de São Paulo (2011)” realizada pelo Núcleo de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) e “Impactos da assistência jurídica a presos provisórios: um experimento na cidade do Rio de Janeiro (2011)” de Julita Lemgruber e Marcia Fernandes (CESeC – Centro de Estudos de Segurança e Cidadania). Nessas e em outras pesquisas reunidas no banco de injustiças estão os dados acerca a superlotação dos presidios por acusação de tráfico de drogas desde que entrou em vigor a lei 11.343 em 2006, além do perfil desses detentos, dados citados no site da campanha “É preciso mudar” e que o jornalista da Veja chamou de “chute, achismo, e vigarice intellectual”. Eu pessoalmente considero vigarice o jornalista usar sua posição numa dos veículos de maior visibilidade do país, para declarar que tais dados, amparados por pesquisas respeitadas, não existem.

Provavelmente o jornalista é daqueles que não suporta novela, e por isso não conheça a veterana atriz Regina Sampaio, mas se tivesse incluído a frase anterior do meu texto, todos saberiam que tratava-se de uma das atrizes que assim como Isabela Filardis estrelaram a campanha “É preciso mudar!” e compareceram ao seu evento de lançamento. Mas é claro que para sua piadinha fazer sentido o jornalista teve de editar o texto, afinal sua missão dita jornalística é propagar as principais armas dos proibicionistas – a desinformação e o medo. Vergonha de você Reinaldo Azevedo!

Ya’ Ya Hi-fi Comemora o sucesso da semSemente!


Em um pouco mais de um mês de lançamento a revista semSemente já chegou em pontos de venda em dez estados do país, e atingiu 23 estados na venda Online, totalizando mais de três mil exemplares vendidos. Para comemorar o sucesso da primeira revista canábica do Brasil o renomado DJ Marcelinho da Lua convidou o editor-chefe da semSemente Matias Maxx para discotecar (com discos mesmo) na sua festa Ya’ Ya Hi-fi, que vem lotando toas as terças do Studio RJ. Trata-se de uma festa para os amantes do vinil, com entrada grátis até meia-noite, aonde Marcelinho da Lua promete conquistar “o balanço do Jazz, some’bossa, soul, descargas caribeñas e muitas picaretices”.

A seleção musical de Matias Maxx é um reflexo de sua trajetória e personalidade. Filho de Uruguaya e Argentino, ele se considera pan-latino e pesquisa desde sempre ritmos do continente, do Latin Jazz ao Reggaeton. Ska, Dancehall, rap nacional, pancadões e carioquismos em geral também costumam aparecer nos seus sets. Para a Ya’Ya high-fi Matias vai desentocar sua coleção de vinis que vai do compacto original de “Maria Joana” de Erasmo Carlos resgatada de uma caixa de tranqueiras dos anos 80 à coletâneas da Soul Jazz adquiridas em Amsterdã, por traz de cada bolacha, uma história, um sentimento.

GRÁTIS ATÉ MEIA-NOITE/ 10,00 Reais após Meia-noite

Av. Vieira Souto, 110 – Arpoador
Cep: 22420-000
Tel/Fax: (21) 2523-1204
e-mail: studiorj@studiorj.org

Tarja Preta #7 – o ápice produtivo da revista mais cascuda do Brasil

Com o perdão do trocadilho infame, maconheiro brazuca que se preze conhece o Preza. O super-herói chapado, criado por Arnaldo Branco e inspirado no jornalista Matias Maxx, virou um símbolo da cultura canábica brasileira e estampa, desde 2004, as páginas da revista mais cascuda do Brasil – a Tarja Preta. E em sua sétima edição, lançada no fim do ano passado, adivinha quem ganhou destaque? Claro, ele mesmo! Com sua larica incessante e seus olhos vermelhos, o Capitão Presença!

Com 182 páginas, sendo 33 de histórias do Preza, a Tarja Preta #7 chegou trazendo novidades, como o papel diferenciado da capa e o maior número de páginas e histórias, mas mantendo o bom-humor esdrúxulo e impróprio que lhe é característico. Editada por Daniel Juca, Daniel Paiva e Maxx, a revista continua com a tradição de contar com a colaboração da nata dos quadrinistas marginais do Brasil – Danilo, Alan Sieber, Leonardo, Guazelli, Donida, Carranza, Fábio Lyra, Schiavon, André Dahmer, Ete, Zé Colmeia, Gnatalli, Gomez, além dos editores e de vários outros.

Merecem destaque alucinadas histórias como a clássica Baldada Adventures, de Juca e Daniel Paiva, a primorosa Capitão Presença em Bengala II, de Donida, Especiarias do Mal, de Danilo, Detetive Peçanha, de Juca, Eu quero acreditar, de Gomez, O lado preto da força, de Daniel Gnatalli, entre outras. Mas se engana quem pensa que a Tarja se limita aos quadrinhos. Outra boa nova dessa edição é a quantidade de textos.

Além do editorial, que relembra as conquistas recentes da equipe da revista (como o lançamento do documentário Malditos Cartunistas), a publicação tem duas páginas dedicadas à Marcha da Maconha e aos avanços do movimento canábico em 2011, duas páginas de resenhas culturais, e sete páginas de uma emocionante matéria em homenagem ao rapper carioca Speed Freaks, assassinado em março de 2010, após ser confundido com um policial por traficantes de Niterói. No texto, Matias Maxx reconstrói a trajetória do músico, conversando com amigos, como BNegão, e apontando características da personalidade forte de Speed.

A Tarja Preta #7 é, sem dúvida, o ápice produtivo da trupe desmemoriada que a toca para frente. Contracultura, bom humor, quadrinhos, arte e maconha. Tudo misturado numa salada psicodélica capaz de chapar qualquer cabeça aberta. Se você tem preconceito com maconheiro ou curte quadrinhos e textos bonitinhos, realmente esse não é o seu lugar. Afinal, como os editores alertam, a missão da revista é bem clara: combater a chatice e a caretice.

Tarja Preta #7
182 páginas
R$ 20
Saiba mais: tarjapretahq.blogspot.com
Para comprar:  www.cucaracha.com.br/tarjapreta

2º CinePlanta exibe Queimando Tudo de Cheech & Chong

O bloco Planta na Mente promove nesta quinta-feira (24 de novembro), às 19h na Sala de Audiovisual (4º Andar) do Centro de Letras e Artes (CLA) da UNIRIO, a segunda edição do CinePlanta, grande cineclube mensal sobre a cultura canábica, levantando debates sobre a maconha, sua proibição e suas implicações sociais. A programação inclui a exibição de filmes relacionados à cultura canábica, seguida de uma grande roda de debate envolvendo convidados especiais. A entrada é gratuita.

Na segunda sessão, a atração principal será a clássica comédia Cheech & Chong – Queimando Tudo, de 1978, que influenciou a cultura jovem da época e deu origem ao gênero cinematográfico de “stoner movies”. Após o filme, será realizado debate sobre o papel do longa na criação da cultura canábica, com a presença de Arnaldo Branco (cartunista e escritor, autor dos quadrinhos Capitão Presença e Mundinho Animal), Matias Maxx (jornalista criador do zine Tarja Preta e colaborador das revistas semSemente, THC e Vice), Raoni MouChoque (produtor cultural, Rádio Legalize) e João Gabriel Henriques (jornalista, site Hempadão).

Antes do longa, será exibido também o curta-metragem “A quebra da inércia”, documentário sobre a realização da primeira Marcha da Maconha de Niterói, neste ano, dos cineastas Vinicius Vieira e Luka Melero.

SERVIÇO:
CINEPLANTA apresenta: “Cheech & Chong – Queimando Tudo”
Data: quinta-feira, 24 de outubro
Horário: 19h
Local: Sala de Audiovisual do CLA (4º andar do prédio do CLA), UNIRIO – Praia Vermelha (Av. Pasteur, 436 – Urca)
Entrada: Gratuita

Debatedores convidados:
Arnaldo Branco (cartunista e escritor, autor dos quadrinhos Capitão Presença e Mundinho Animal)
Matias Maxx (jornalista criador do zine Tarja Preta e colaborador das revistas THC e Vice)
Raoni MouChoque (produtor cultural, Rádio Legalize)
João Gabriel Henriques (jornalista, site Hempadão)

Cine Planta